Category: Brazil

Campus Party

By André, 25/01/2010 6:42 pm

Aprontando a mochila para a Campus Party 2010. Ansioso para mergulhar na ambiência do acampamento. Participo de 3 debates: um sobre cibercultura e blogs, outro sobre Gambiologia e outro sobre internet e moradores de rua (nao sei ainda quando e onde será). Devo assisitir também a conferências (principalemente a do Lessig). Mas o bom mesmo será flanar pelo Campus e ver o que a cibercultura brasileira está aprontando. Abaixo minha agenda, até agora…

Dia 26, se chegar a tempo, corro para ver a palestra do Kevin Mitnick, um dos mais famosos hackers, ou melhor, ex-hackers, do mundo. Ele vai falar de social engineering e lock-picking, táticas hackers para conseguir informacão e abrir coisas. Abaixo vídeo do Mitnick convidando para o evento.

Dia 27 fico livre para ver coisas pelo acampamento.

Dia 28 participo de dois debates: blogs e gambiologia!

BLOG Debate: Cibercultura e pesquisas sobre blogs e conversações online
Quando – qui 28 de jan 2 pm – 3:30 pm
CampusBlog – Zona de Criatividade
Descrição – Os novos cenários na comunicação sob o olhar de pesquisadores e acadêmicos.
Moderador: Sérgio Amadeu
Painelistas: Rogério Christofoletti, Henrique Antoun, Sandra Montardo, André Lemos

DSIGN Gambiologia – debate e lançamento
Quando – qui 28 de jan 10 pm – 11:30 pm
Foto-Video-Design – Zona de Criatividade
Descrição – A rede MetaReciclagem lancará na CParty uma publicação colaborativa chamada “Gambiologia”. Nela, e no debate, pretende-se entender, referenciar e de certa forma naturalizar o improviso e a impermanência – a cultura da gambiarra – não como atraso, mas pelo contrário como habilidade essencial pro mundo contemporâneo.
Painelistas – Rodrigo Boufleur, Czarnobai, Lucas Bambozzi, Sergio Amadeu, André Lemos, Marcus Bastos, Fred.

Dia 29, assisto a palestra do Lessig: O futuro dos Commons: cultura livre e compartilhamento. 19:00h.
Lawrence Lessig, um dos fundadores do Creative Commons, professor na faculdade de direito de Stanford e um dos maiores defensores dos licenciamentos livres para a distribuição de bens culturais, à produção de trabalhos derivados (criminalizadas pelas leis atuais), e do fair use. Na sua palestra falará sobre o futuro do compartilhamento nas redes digitais.

Cabelo e Games

By André, 18/01/2010 10:33 am

Ontem em Imbassaí, praia a 65 km no litoral norte de Salvador, vi esse “Point do Cabelo” que é, ao mesmo tempo, barbearia e game house. Quando vi pensei logo nas multifuncionalidades locais e fiquei imaginando uma pessoa cortando o cabelo e jogando ao mesmo tempo. A loja estava fechada no domingo e não pude ver no interior, mas imagino alguns computadores precários convivendo lado a lado com cadeiras e barbeiros “da antiga”. Voltarei um dia para ver funcionando. Mas, para o que me interessa, é curioso ver como os lugares ganham múltiplas funções (e isso é muito comum no Brasil e parace mesmo ser uma lei – “quanto mais precários, mas multifuncionais são os lugares”), novas heterotopias, mantendo alguns enraizamentos que os fazem ser exatamente isso, lugares. É uma barbearia, só que diferente pela nova territorialização informacional que se institui por um “modo de mediação” lúdico.

Deve ser muito mais interessante cortar o cabelo e/ou jogar nessa barbearia do que nas tradicionais ou aquelas mais modernas que te oferecem água e cafezinho em ambiente asséptico e sem graça. Cortarei meu cabelo lá da próxima vez e, a depender do resultado ;-)), recomendarei a todos!

Cibercultura

By André, 29/09/2009 9:39 pm

Cibercultura 10+10

Gilberto Gil, Pierre Levy, André Lemos, Laymert García, Alfredo Manevy, Cláudio Prado e Sérgio Amadeu juntos discutem a cibercultura.

Evento em Santos propõe um balanço e reflexão sobre os últimos dez anos e do futuro da cultura digital no Brasil e no mundo.

O primeiro dia, quinta-feira agora (dia 1º), será uma discussão sobre os últimos dez anos e sobre os próximos dez. Daí o nome do evento: Cibercultura 10+10.

A sexta-feira (dia 2) será outra coisa: uma oficina de remix. Gilberto Gil fará um recorte de toda sua discografia, com foco na tecnologia. O áudio e o vídeo estarão disponíveis pra serem retrabalhados, uploadados, remixados. Direitos liberados. E os palestrantes do dia anterior continuam na mesa, dialogando com Gil e suas canções.

Ao lado de oficineiros e do público, que irão ajudar a capturar e a editar o material na hora. Mas depois, também, quem fizer upload com a hashtag #10mais10 poderá ver sua produção fazer parte do material que será editado.

O encontro inusitado e a ideia do remix é organizado pelo Laboratório Brasileiro de Cultura Digital e por grupos que participam da Casa de Cultura Digital, e conta com patrocínio da CPFLCultura e apoio da Prefeitura Municipal de Santos.

Esse conjunto de discussões e de oficinas sobre cultura digital e suas relações com as linguagens artísticas como música, literatura, e artes visuais ocorre nos dias 1 e 2 de outubro no Teatro Guarany.

Quem não puder comparecer, poderá acompanhar e participar das discussões e da oficina pelo site www.cpflcultura.com.br/aovivo. No primeiro dia, haverá transmissão em português e em inglês.

Programação

1 de outubro de 2009

Seminário – com duas mesas de debates
Horário: 10h às 18h, com intervalo para almoço
ENTRADA: A entrada será gratuita, por ordem de chegada, com abertura da bilheteria uma hora antes do início do evento.
Participantes das duas mesas: Pierre Levy, Gilberto Gil, Sérgio Amadeu, Laymert Garcia dos Santos, André Lemos, Alfredo Manevy e Claudio Prado

2 de outubro de 2009

Oficina de Remix com Gilberto Gil e Bem Gil e convidados
Horário: 10h às 18h, com intervalo para almoço
ENTRADA: A entrada será gratuita, por ordem de chegada, com abertura da bilheteria uma hora antes do início do evento.

Os dois dias de evento serão realizados no teatro Guarany, na praça dos Andradas, sem número, no centro de Santos.

Lei de Imprensa e Eleições

By André, 03/09/2009 12:46 am

Lei de Imprensa e Eleições.

Ou a tentativa de controlar funções pós-massivas com idéias anacrônicas!

Blog do Fernando Rodrigues mostra como o STF considera a lei de imprensa inconstitucional e as regras para o uso da internet em períodos de eleição anacrônicas. Deputados e senadores parecem mesmo achar que a internet é uma TV ou um rádio “melhorado” e quer aplicar ao ciberespaço as mesmas regras das mídias massivas. Não funcionou em 1997 e não funcionará no futuro próximo.


Veja o Blog do Protásio também sobre o assunto.

A guerra não acabou, mas o julgamento do Ministro Carlos Ayres Britto, do Supremo Tribunal Federal, sobre o projeto de lei abriu uma porta legal para considerar e reconhecer o carater livre da web. O carater massivo dos meios de comunicação de massa, controlados por empresas com interesses bem definidos é regulado em períodos eleitorais para garantir um certo equilíbrio entre os candidatos e evitar que gigantes da mídia façam, explicita e insistentemente, a vitória de um candidato. Mesmo assim não garante. Mas não se pode negar este que é (ainda) o poder das funções massivas: dar tiro de canhão em moscas e forjar opiniões podendo destruir ou fazer um candidato. Mas a web é diferente, e o internauta um outro personagem, oposto ao receptor massivo (ideais tipo, aqui, claro). Impedir que blogs e outros sites possam criticar políticos, ou dar opiniões sobre esse ou aquele candidato ou seu programa, é um absurdo que beira a censura. A web não é o rádio e a TV. Ela se aproximando mais da conversação do que da informação massiva e massificada dos mass media. Nossos representandes precisam entender isso.

Vejam trechos do blog do Fernando Rodrigues (leiam na íntegra para ver os posts mais antigos sobre o assunto):
” O ministro Carlos Ayres Britto, do Supremo Tribunal Federal, enviou hoje para publicação o texto final do julgamento que considerou inconstitucional a lei de imprensa no último dia 30.abr.2009. Foi um marco na história do STF. Pois há outra boa notícia: o texto do acórdão (resultado do julgamento) finalizado hoje deixa claríssimo o caráter livre da internet. Em resumo, se o Congresso insistir em votar uma lei eleitoral equiparando a web ao rádio e à TV (post abaixo), há grande risco de essa legislação ser rapidamente considerada inconstitucional. Eis um trecho da ementa (resumo) do resultado do julgamento redigido por Ayres Britto:

‘…Silenciando a Constituição quanto ao regime jurídico da internet, não há como se lhe recusar a qualificação de território virtual livremente veiculador de ideias, debate, notícia e tudo o mais que se contenha no conceito essencial da plenitude de informação jornalística no nosso país’.

Ou seja, quando deputados e senadores pretendem restringir o conteúdo da web durante períodos eleitorais (post abaixo) estão claramente ferindo o caráter livre da web, segundo decisão do Supremo Tribunal Federal. Como o projeto de lei ainda será votado na semana que vem no Senado, há tempo para os congressistas refletirem a respeito. Basicamente, basta que retirem do projeto a equiparação da web ao rádio e à TV (o artigo 57-D descrito no post abaixo). “

O relator do projeto é o Senador Azeredo, o mesmo que quer criar um regime de vigilância pesado sobre a Internet. Ao falar sobre o assunto, o Senador diz que prentende também censurar e controlar o YouTube. Vejam matéria do UOL Notícias, de Piero Locatelli (trechos abaixo):

“O relator da reforma eleitoral, senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), decidiu recuar parcialmente da proposta de proibir blogs e sites na internet de expressarem opinião sobre um candidato. Azeredo informou que pretende apresentar uma emenda em plenário. ‘Eu vou fazer uma emenda de plenário para esclarecer as questões relacionadas à internet, que já há haviam sido aprovadas pela Câmara.’ O senador, no entanto, disse que deve manter diversas restrições no projeto. ‘O YouTube vai seguir as regras de TV’, disse Azeredo sobre o site de compartilhamento de vídeos. Ou seja, usuários do YouTube não poderão satirizar um candidato durante o período eleitoral -a partir do dia 1º de julho. Preferências por políticos também não poderão ser mencionadas pelos internautas.”

Definitivamente há uma crise de mentalidades, uma mudança na paisagem comunicacional que parece ainda não ter tocado os nossos representantes.

Communication and Mobility

By André, 11/08/2009 11:16 am

Comunicação e Mobilidade

Número especial do Wi: Journal of Mobile Media sobre o Brasil, com o tema Comunicação e Mobilidade.

No cardápio:

MOBILE COMMUNICATION: THE BRAZILIAN PARADOX
By Eduardo Campos Pellanda

Cell phones are one of the icons of the post-modern age because they represent many possibilities converged in one single device. They connect people, and at the same time, they are used more generally to organize life through textual, audio and video platforms…

LOCATIVE MEDIA IN BRAZIL
By André Lemos

Paradoxically, mobility media are localization media. It is interesting to note that locative media, which emphasize places, are furnished by mobility technologies that combine devices (laptops, smart phones, PDA and…

RISKY APPROXIMATIONS BETWEEN SITE-SPECIFIC AND LOCATIVE ARTS
By Lucas Bambozzi

I’d like to address the term ’site’ as a field of semantic migrations, as migrations that occur due to cultural dislocations, linguistic operations, technological influences, poetic licenses or theoretical digressions.

“WE ARE AS WE MOVE ON”: MOTOBOYS ICONOMIC EVOLUTION IN SÃO PAULO
By Gilson Schwartz

Man is born free, and everywhere he is in chains. Many a man believes himself to be the master of others who is, no less than they, a slave. How did this change take place? I do not know. What can make it legitimate?

MULTIFACETED COMMUNICATION PROCESSES: WHICH THEORIES?
By Lucia Santaella

In the South American context, especially in Brazil, the main theories adopted by scholars of communication studies for decades have been the critical theories rooted in the Frankfurt School, …

DISTRIBUTED SURVEILLANCE: VIDEO, MONITORING AND MOBILITY IN BRAZIL1
By Fernanda Bruno

Surveillance and mobility have historically maintained close relations: the demarcation of borders and territorial protections, the control of migration and the flow of people, goods, diseases etc. all represent ancient lineages of the intersections between these two processes (Salter & Zureik,…

MOBILE TECHNOLOGIES AS PRODUCTION PLATFORMS IN BRAZILIAN JOURNALISM
By Fernando Firmino da Silva

Mobile communication studies have expanded from within various disciplinary areas (in sociology, communication, cyberculture and cultural studies, for example), instigated by they way that practices arising from the emergence of new digital mobile technologies1 and wireless connection…

WIRELESS INTERNET ACCESS: THE SAME OLD PROBLEM AND THE CITY’S NEW AGENDA
By Fabio B. Josgrilberg

Over the last few years, the provision of wireless broadband internet access has become part of governmental agendas at all levels, and in many different locations (Middleton & Crow, 2008). This inclusion of yet another ‘new technology’ on the political agenda, however, belies…

CLOUDS OF OPEN CONNECTION: OPEN SPECTRUM, DIGITAL TELEVISION AND DIGITAL INCLUSION
By Sergio Amadeu da Silveira

Low income communities and individuals in Brazil are now grasping the importance of the Internet. The boom in blogs and user-friendly databases worldwide have greatly expanded hypertextual writing and the production of news and information across the web. Even television programs disseminate…

FISL

By André, 27/06/2009 11:43 am

10 Fórum Internacional Software Livre

Dilma e Lula falando sobre Cultura Digital no Evento (via Xô Censura), batendo de frente contra a lei Azeredo.
Lula: “neste governo é proibido proibir”! “Essa lei que está ai (…) ela quer fazer censura”!
Assinem a petição que já está com quase 150 mil assinaturas!

AI5 Digital

By André, 05/05/2009 9:32 pm

AI 5 Digital

Ato contra susbtitutivo de lei que ameaça a liberdade de expressão na Internet Brasileira. Participem!

“No Brasil, um projeto substitutivo sobre crimes na Internet aprovado e defendido pelo Senador Azeredo está para ser votado na Câmara de Deputados. Seu objetivo é criminalizar práticas cotidianas na Internet, tornar suspeitas as redes P2P, impedir a existência de redes abertas,
reforçar o DRM que impedirá o livre uso de aparelhos digitais. Entre outros absurdos, o projeto quer transformar os provedores de acesso em uma espécie de polícia privada. O projeto coloca em risco a privacida de dos internautas e, se aprovado, elevará o já elavado custo de comunicação no Brasil.

Gostaríamos de convidá-lo a participar do ato público que será realizado no dia 14 de maio, às 19h30, em defesa da

LIBERDADE NA INTERNET
CONTRA O VIGILANTISMO NA COMUNICAÇÃO EM REDE
CONTRA O PROJETO DE LEI SUBSTITUTIVO DO SENADOR AZEREDO

O Ato será na Assembléia Legislativa de São Paulo e será transmitido em streaming para todo o país pela web.

PLENÁRIO FRANCO MONTORO
ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DE SÃO PAULO
AV PEDRO ALVARES CABRAL S/N – IBIRAPUERA

O Ato também terá cobertura em tempo real pelo Twitter e pelo Facebook.” Via Blog do Sergio Amadeu

Palmas

By André, 16/04/2009 12:21 pm

Mídia Locativa na Prática

Desbravando Palmas em nova Ciberflânerie

Palmas at EveryTrail

Map created by EveryTrail:GPS Geotagging

Para que Cibercrimes?

By André, 25/03/2009 1:11 pm

Para que cibercrimes?

Mais uma contribuição no Blog do Sergio Amadeu, agora com um texto de Jomar Silva, Coordenador da ODF Alliance e especialista em segurança da informação. Vejam a comparação que ele faz se fosse adotar o projeto não na internet mas “na vida real”. Bem ilustrativo e esclarecedor. Replico aqui os trechos principais e seria bom que todos espalhassem para suas redes/blogs/microblogs…

“(…) Se o projeto em discussão fosse apresentado para resolver o problema da criminalidade ‘no mundo real’, olha só o que ele iria propor (vou pegar apenas uma das propostas, ok ?):

‘Todo comércio ou empresa (pessoa jurídica), prestadora de serviços de acesso (ex. transporte público) ou conteúdo (bens e serviços em geral) deverá manter durante três anos um histórico de todas as pessoas que utilizaram seus serviços, registrando seu RG, filiação e outros dados que permitam identificar os cidadãos.’

Na prática isso significa o seguinte:

Você sairá de casa pela manhã para trabalhar e o porteiro do seu prédio vai ter que anotar seus dados e registrar sua saída. Quando você entrar no bar para comer um ‘pão na chapa com pingado’, o seu Manoel da padaria vai ter que anotar seus dados também. Saindo da padaria, pegando um táxi (ou ônibus, trem, metro ou qualquer outro meio de transporte), o responsável por ele também vai anotar seus dados. Chegando no prédio onde trabalha, a portaria vai também registrar sua entrada, tal como a recepção da sua empresa.

E assim vai sendo o seu dia, com alguém anotando passo a passo tudo o que você fez, gerando uma infinidade de registros que permitirão acompanhar todos os seus passos, todos os dias da sua vida (e claro, armazenando tudo isso durante três anos, para evitar uma multa mais do que salgada). Quando um crime qualquer for cometido, a polícia poderá requisitar todos estes registros e com base neles, encontrar o criminoso… será que vai funcionar mesmo ?

Será que o ‘criminoso’, sabendo que todos os seus passos serão anotados, vai utilizar o seus documentos verdadeiros no dia a dia ? Será que os transtornos que uma medida dessa irão causar, vão trazer com certeza algum ganho ? Será que uma sociedade que vive assim pode ser chamada de sociedade democrática ?

Ainda com este caso hipotético em mente, como ficará a situação de um pequeno comerciante que não tiver recursos para capturar e manter estas informações durante os três anos que a lei determina ? Como ficará por exemplo, o controle de acesso a uma feira livre ? Fiz esta analogia, pois a lei em discussão pretende fazer isso no acesso á Internet e sendo assim, vai inviabilizar totalmente a utilização de toda e qualquer rede aberta, pois a implementação e manutenção de um controle como este vai custar caro e analisando o custo de manter este sistema (e o risco inerente de ainda assim ser multado), não tenho dúvida que o mais fácil (e barato) a se fazer será desligar os transmissores e fechar as redes abertas.

É claro que as operadoras de telecom vão adorar ver apenas as terríveis e instáveis conexões 3G como única forma de acesso sem fio ‘dentro da lei’. Idem para os escassos provedores de Wifi, que tal como as operadoras, cobram preços absurdos pelos serviços. Aliás, o custo destes acessos deverá ficar ainda mais elevado, uma vez que as exigências legais para a prestação do serviço agora serão mais pesadas. Pior que tudo isso, é ver que as regras em discussão atualmente, estrangulam no berço uma das tecnologias mais promissoras que foi criada nos últimos anos, as redes Mesh.(…)”.

Vigilância Locativa

By André, 24/03/2009 1:15 am

Vigilância Locativa

Sistemas de localização podem ser usados para criar novos sentidos dos lugares, apropriação do espaço urbano, formas de escrita e releitura das cidades, mas também como ferramentas de controle, monitoramento e vigilância. É o caso das etiquetas RFID, dos sistemas de rastreamento por GPS, das redes bluetooth…Efetivamente a sociedade de controle está em expansão aliando mobilidade, liberdade informacional e criação voluntária de perfis .

No Brasil, sistema de monitoramento de automóveis é pensado como “default” para resolver aquilo que os instrumentos e instituições de segurança pública não resolvem: a segurança dos cidadãos. Agora o governo quer, pelo viés meramente tecnocrático, resolver o problema obrigando todos os carros a sairem de fábrica com monitoramento eletrônico embarcado. Post do Mídia Locativa informa sobre a resolução 245 do Contran (Conselho Nacional de Trânsito) e sobre as portarias 47 e 102 do Denatran (Departamento Nacional de Trânsito) que tornam obrigatória a implantação de sistemas de monitoramento e antifurto nos veículos brasileiros a partir de 2010. Vejam a íntegra no post a partir da matéria da revista jurídica online Última Instância publicada nesta segunda, 23 de Março. Trecho da matéria:

“O Ministério Público Federal entrou com uma ação para proibir que veículos novos saiam da fábrica com sistema de monitoramento e antifurto instalado. Para a Procuradoria, a medida, que entraria em vigor em 2010, pode fazer com que as pessoas fiquem monitoradas 24 horas por dia. Montadoras consultadas pelo MPF afirmaram que os equipamentos de antifurto e rastreamento podem ser monitorados, independentemente da autorização do proprietário. (…) “


Abaixo reproduzo trechos que escrevi no artigo “Mídias Locativas e Vigilância. Sujeito Inseguro, Bolhas Digitais, Paredes Virtuais e Territórios Informacionais”, apresentado em Curitba em evento sobre vigilância este mês. Em breve coloco o texto na íntegra para download aqui no Carnet.

“As mídias locativas podem ser, efetivamente, ferramentas de invasão da privacidade e de violação do anonimato para fins comerciais, militares, políticos ou policiais. O novo regime “invisível” dos banco de dados, de localização e cruzamento de informações, de monitoramento de perfis de consumo e dos movimentos pelo espaço urbano crescem na mesma medida que a liberdade de locomoção e de acesso/distribuição de informação. Não é por acaso que esses serviços e tecnologias surgem de pesquisas militares, prolongando a vigilância estatal, policial, comercial e industrial desde o século XVIII. Empresas e governos têm utilizado essas tecnologias para a coleta de dados pessoais nem sempre realizada com o conhecimento ou o consentimento do cidadão . Para uma ação efetiva que proteja os indivíduos de sistemas de vigilância (estatais, militares, comerciais) que possam violar seus direitos, é necessário o reconhecimento dos novos territórios informacionais. “

(…)

“Vigiando (controlando e monitorando) as mídias locativas ameaçam a vida privada e o anonimato. A privacidade pode ser definida como o controle e a posse de informações pessoais, bem como o uso que se faz posteriormente delas. Anonimato, por sua vez, implica na ausência de informação sobre um indivíduo e também ao controle sobre a coleta de informações pessoais (Gow, 2005). A privacidade é um pilar das sociedades democráticas já que ‘empowers people to control information about themselves; protects people against unwanted nuisances, or the right to be left alone; (…) is related to dignity in the reciprocal obligations of disclosure between parties; (…) is also a regulating agent in the sense that it can be used to balance and check the power of those capable of collecting data’ (Lessig, apud Gow, 2005, p. 7). Embora correlatos, privacidade e anonimato sofrem impactos diferenciados pela ação das tecnologias locativas . Estas podem coletar dados pessoais e difundir outros já gerados sem o consentimento ou mesmo o conhecimento do usuário em ações de fiscalização (controle), acompanhamento e avaliação (monitoramento) e prevenção e zelo (vigilância). Indivíduos podem perder o controle sobre a geração de dados e a circulação dos existentes. Eles são, então, constrangidos respectivamente em seu anonimato ou privacidade. “

(…)

“A sociedade do controle está em toda parte. Para além do panopticom que vigia o confinado, as atuais câmeras de vigilância, cartões com chips, perfis na internet, GPS e sensores, controlam o sujeito ‘inseguro’ em sua mobilidade cada vez maior. Mobilidade é mesmo a palavra chave para pensar as massas (império?), o uso da informação (vivendo sem fronteiras?) e as possibilidades de localização e reconhecimentos de coisas no espaço. Mais movimento significa também maior possibilidade de controle, vigilância e monitoramento de pessoas, informações e objetos. As mídias locativas, onde localização e mobilidade significam possibilidades de produção de sentido no espaço e nos lugares, são também instrumentos de controle, monitoramento e vigilância de lugares, espaços e indivíduos, agora enredados em bancos de dados moduláveis, sensores ubíquos e onipresentes, redes sem fio fluídas e inteligentes, dispositivos de localização “atentos às coisas”. Não esqueçamos que essas tecnologias têm origem militar. Toda mídia locativa, por seu caráter intrínseco associando mobilidade e localização, pode ser usada para monitorar movimentos, vigiar pessoas e controlar ações no dia a dia.”

(…)

“Exemplos de violação da privacidade podem ser encontrados em experiências com o uso das etiquetas de radiofreqüência, RFID, comumente chamadas de “spychips”. Albrecht e McIntyre (2006) oferecem inúmeros casos de uso de RFID com violação de privacidade com fins policiais, políticos ou comerciais. Essas micro-etiquetas estão disseminando-se em todos os lugares (roupas, placas de carros, produtos, passaportes) e têm como objetivo melhorar a eficiência e segurança de empresas e governos já que servem para monitorar produtos e pessoas, aliando mobilidade física e informacional. Segundo as autoras, ‘in a future world laced with RFID spychips, cards in your wallet could ’squeal’ on you as you enter malls, retail outlets, and grocery stores, announcing your presence and value to businesses. Reader devices hidden in the doors, walls, displays, and floors could frisk the RFID chips in your clothes and other items on your person to determine your age, sex, and preferences. Since spychip information travels through clothing, they could even get a peek at the color and size of your underwear’ (Albrecht e McIntyre, 2006, p. 3)”

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