(Des) território Informacional – “Border Bumping”

Tenho desenvolvido o conceito de território informacional há algum tempo e nesse momento mesmo tento finalizar um livro sobre esse tema (espacialização e mídias de geolocalização). Para mais sobre o assunto ver alguns dos meus artigos aqui, aqui e aqui.

O projeto “Border Bumping” (criado por Julian Oliver) me parece bem interessante para comprovar mais uma vez a existência desses territórios informacionais. Rapidamente, por território informacional entendo camadas de controle informacional (eletrônico-digital) em forte relação com o lugar. Este é fruto não de uma fixação, mas de mobilidade de fluxos territorializantes e desterritorializantes. Um lugar é, seja ele qual for, caracterizado por controle de fronteiras, territórios (culturais, subjetivos, pessoais, legais, geográficos e informacionais). Essa última dimensão, a informacional, tem se tornado muito importante com o desenvolvimento das redes telemáticas e reconfigurado práticas (sociais, culturais, econômicas…) nos espaços urbanos das grandes cidade. Veja recente artigo aqui mostrando como “Space Counts: Why Physical Flows Matter in an Increasingly Virtual World”.

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Porto Digital – Boipeba

Em Boipeba, sul da Bahia, o cais é um hub, é também um território informacional, ele é um porto digital. Aqui, o mar dita o ritmo da vida na cidade, que vibra ao sabor das marés, do vai e vem das ondas, do vai e vem das coisas.

É comum ao longo do dia, mas, mais frequentemente no fim do dia, as pessoas buscarem conexão a partir desse lugar, já que aqui temos a melhor recepção no celular e no modem 3G para conexão a internet ou simplesmente para poder falar no celular.

Como se vai em alguns momentos ao porto receber alguém, da mesma forma, em alguns momentos, se vai ao porto para se conectar à rede ou ao celular, para escrever e responder emails, para ver tweets, para um acesso rápido à web.

A comunicação digital é precária, como é precário a estrutura física do porto. Mas, para pessoas, mercadorias, objetos e agora, bits, ele é um dos poucos pontos de entrada na ilha. Um hub de embarcações, um hub de comunicações, um hub de dados. Ele é um dos seus poucos “territórios informacionais”.

Escrevi em artigo em 2008:

“Por territórios informacionais compreendemos áreas de controle do fluxo informacional digital em uma zona de intersecção entre o ciberespaço e o espaço urbano. O acesso e o controle informacional realizam-se a partir de dispositivos móveis e redes sem fio. O território informacional não é o ciberespaço, mas o espaço movente, híbrido, formado pela relação entre o espaço eletrônico e o espaço físico. Por exemplo, o lugar de acesso sem fio em um parque por redes Wi-Fi é um território informacional, distinto do espaço físico parque e do espaço eletrônico internet. Ao acessar a internet por essa rede wi-fi, o usuário está em um território informacional imbricado no território físico (e político, cultura, imaginário, etc.) do parque, e no espaço das redes telemáticas.”

O cais é o lugar por onde chegam pessoas, mercadorias e agora dados. Lugar de comunicação, de conexão e de distribuição. De pessoas e de bits. É porta de entrada e de saída. O porto é um território informacional, lugar de encontro, de desencontros, de chegadas e partidas.

O porto de Boipeba é o mesmo porto, aumentado.