Map of the City, Utopia’s Ghost

Map of the City, Utopia’s Ghost


Galeria Articule, Montreal

Exposio “Map of the City” na Galeria articule mostra a cidade como um livro a ser lido, como um organismo vivo em plena transformao pela orgia de signos, objetos, mapas, imagens as mais diversas. A vdeo-instalao faz uma colagem de objetos, mapas, livros, inscries da anitguidade, fotografias…tentando relacionar sua histria, seus signos e smbolos passando ao espectador um patchwork de sensaes (com sons e sequncias de imagens fixas em duas telas). Essas sensaes em muito se assemelham ao que experimentamos no quotidiano. A instalao prope a imerso e o consumo de imagens como fazemos ao nos locomovermos pelo espao urbano, ou seja sem prestarmos muita ateno, sem pensar ou interpretar o que nos interpela. O consumo que tambm nos consome sem nos darmos conta.


Sample da vdeo-instalao Map of the City, Nelson Henricks, articule, Montreal, 2008

Podemos ler no catlogo: “Nelson Henricks recent work Map of the City, is a two-channel video installation that explores the correlations between architecture and words. Initiated during a six-month residency in Rome, this work sees the city as a text environment, as a kind of library that requires both readers and writers. The video piece is a complex blend of text and images where mundane objects take centre stage, grow and multiply, creating small evanescent worlds for the viewer to actively consume. Map of the City is inspired by chapels and cathedrals, which act as three-dimensional, immersive representations of the Bible. Quotes from The Gospel of Thomas and The Bible are interwoven with original text, still photos and electronic soundscapes. The city is seen an accumulation of gestures and desires that outstrip the life of the individual, upholding the view of the city as a living organism.”


Sample da vdeo-instalao Map of the City, Nelson Henricks, articule, Montreal, 2008

Outra exposio que visitei na quinta-feira e que faz referncia tambm cidade “Utopia’s Ghost” no Centre Canadien d’Architecture. A partir de cinco tpicos principais: “road to nowhere”, “(In) human Scale”, “Babel/Babble”, “Islands”, e “Worlds-within-worlds (Russian Dolls)”, os organizadores propem re-interpretar o perodo ps-moderno, que decreta o fim das utopias, e rever seus novos fantasmas em projetos de Robert Venturi, Aldo Rossi, Arata Isozaki, Peter Eisenman, entre outros.


Foto do catlogo da exposio Utopia’s Ghost, CAC, Montreal

Podemos ler no site do CAC: “(…) The exhibition title wall features a photomural depicting the dramatic implosion of the high-modernist St. Louis housing project Pruitt-Igoe designed by the architectural firm Leinweber, Yamasaki & Hellmuth in 1950-54. This spectacular and much publicized demolition in 1972 marked not only a public expression of the failure of certain modernist ideologies embodied by the project, but could subsequently be interpreted as a moment of ‘birth’ for the postmodern period. According to Reinhold Martin, much of the architectural production of the past half-century has been haunted by the ghosts of modernist utopias: ‘the projects documented in the exhibition are understood as bearers of a latent discourse that contradicts the very same anti-utopian currents that many of these projects have been thought to represent.’

The exhibition draws attention to an uncanny presence of the modernist notions that had been declared dead. The reproductions and originals representing a selection of projects of the 1970s and ’80s take on the character of evidence assembled within five subject groups that trace a utopian afterlife: Babble/Babel, Islands, Roads to Nowhere, (In)human Scale, and Worlds within Worlds. In this reorganisation, the curators challenge the traditional understanding of postmodernism and offer a new framework for approaching the architecture of this period.(…)”


Still da vdeo-instalao Maps of the City, Articule, Montreal

A primeira exposio mostra, em vdeo e sons, o presente e a vida quotidiana na sua trgica dimenso do “aqui e agora”. A cidade um livro a ser lido, um mosaico de imagens a serem consumidas com os olhos. A segunda exposio apresenta uma outra forma de ler a cidade e seu imaginrio, lanando o olhar para o futuro. Maquetes, pinturas, desenhos mostram projetos que tentam concretizar novas dimenses da utopia, desse “no-lugar”, ou desse “lugar-ideal” presente desde os primrdios da aventura humana..

No d para no pensar em Barthes e seu ensaio sobre a cidade. Para Barthes a cidade nao apenas um texto a ser lido, mas uma lngua a ser falada. Sentimos isso quando conhecemos uma cidade (lemos e falamos a sua lngua) ou quando somos estrangeiros ou turistas (e no sabemos nem ler nem falar e temos dificuldades para compreender o espao a nossa volta). Barthes vai desenvolver uma visao ertica do espaco, partindo do raiz da palavra, da dimensao dionsiaca da vida (desejo, excesso, contato, jogo, violncia). A cidade, para Barthes, um lugar de jogo com o outro.

As duas exposies marcam essa dimenso ertica, a busca por essa lngua a ser falada ou esse texto a ser lido, seja pela fora dos objetos, das imagens e dos sons que nos envolvem (a primeira), seja pelas estruturas imobilirias que criam o tecido urbano e impregnam o imaginrio e nossa viso do futuro.