Digitalia 2019

Tenho a honra e o prazer de fazer a palestra de abertura do Digitalia 2019 na próxima quarta, dia 30/01 as 19h no ICBA.

Vou falar sobre os desafios atuais da cultura digital com a plataformização da sociedade e a agência performática da cultura dos algoritmos!

Gratuito!

Perfomatividade algorítimica e comunicação não-antropocêntrica

Dois artigos publicados ontem e hoje, no apagar das luzes de 2018:

LEMOS, A, BITENCOURT, E. Performative sensibility and the communication of things. In Revista  Matrizes, v.12, n.3, set./dez., pp. 165-188, 2018. DOI:http://dx.doi.org/10.11606/issn.1982-8160.v12i3p165-188

LEMOS,A, PASTOR, L. Performatividade algorítmica e experiências fotográficas: uma perspectiva não-antropocêntrica sobre as práticas comunicacionais nos ambientes digitais. In Lumina PPGCOM – UFJF, v. 12, n. 3, p. 147-166, set./dez. 2018.

 

Livros 2018

Dê livros de presente, sempre!

A lista abaixo elenca os livros de ficção que li em 2018. Está em ordem de leitura. Recomendo todos. Mas os que mais gostei foram: 1, 5, 7, 8, 13, 23

1. Eclipse – John Banville
2. Hamlet – Shakespeare
3. Flores da Ruina – Modiano
4. O livro roubado – Flavio Carneiro
5. Diário da Queda -Michel Laub
6. Dias Felizes – Samuel Beckett
7. Quem matou Roland Barthes – Laurent Binet
8. Tipos de Perturbação – Lydia Davis
9. Mon père et autres textes – Orhan Pamuk
10. L’étranger – Camus
11. Sobre a brevidade da vida – Sêneca
12. Rastros na neblina – Benjamin Black
13. Gog Magog – Patricia Melo
14. A única história- Julian Barnes
15. O livro dos homens sem luz – João Tordo
16. Pé do Ouvido – Alice Sant’Anna
17. O Romance Luminoso – Mario Levrero
18. O Pássaro de Corda. Murakami
19. Meu livro violeta – Ian McEwan
20. Altos voos e queda livre – Julian Barnes
21. O Amor dos Homens Avulsos – Victor Heringer
22. Nem vem – Lydia Davis
23. Tentativas de Capturar o Ar – Flavio Izhaki
24. O espírito do meu pai continua a subir na chuva – Patricio Pron

25. Entre le ciel et terre / Paraíso e Inferno  – Jón Kalman Stefánsson

 

Mariana, uma política dos objetos

Hoje à tarde fui ver o trabalho do fotógrafo Christian Cravo, Mariana, no Centro Cultural da Caixa em Salvador. Uma bela exposição, tendo como centro objetos encontrados depois da tragédia ambiental naquela cidade mineira. A mostra não é grande, com duas dezenas de fotos com suporte de textos em braile e descrição sonora. Esta deveria ser solicitada por todos, pois não é apenas uma descrição formal das fotos, mas uma escrita poética sobre cada uma delas. Pedi para usar, pois ninguém me ofereceu, nem vi outros visitantes usando. Uma pena. Fiz todo o percurso da exposição primeiro sem a descrição sonora e depois com os fones. A experiência é ampliada pelo texto recitado. Há problemas, pois o som não está sincronizado com o local onde você se encontra e há divergências entre alguns poucos títulos das fotos, mas ouvir a descrição ajuda a entrar no clima e no ambiente da destruição, além de revelar coisas que passariam desapercebidas nas fotos.



 

Mariana é uma exposição sobre objetos privados que sobreviveram de alguma forma ao desastre. Em face a uma tragédia de dimensões nacionais, senão planetária, pois é uma agressão à natureza e esta não pertence a um país, a exposição ressalta a vida e a memória das pessoas que ali viveram através daqueles objetos no espaço da casa. O olhar do artista revela, pelos objetos, uma dimensão política do evento. Sem as fotos, esses objetos soterrados e deixados ao tempo seriam extirpados para sempre da vida social. Cravo cria assim uma política dos objetos ao destaca-los em fotos belíssimas que parecem pinturas. Em determinados momentos me aproximei para ver se não havia ali pigmentos sobre as fotos. Continue reading “Mariana, uma política dos objetos”