SOPA BLACKOUT

#SOPAblackoutBR

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Hoje, dia 18/01/12, diversos sites, blogs e redes sociais irão aderir ao #SOPABlackoutBR e ficar indisponíveis como forma de protesto!

Motivo: mostrar às autoridades Brasileiras e as grandes corporações a posição da sociedade brasileira em relação ao “SOPA” nos EUA e demais práticas, normas, medidas judiciais e leis que ameaçam a liberdade na Internet no mundo e no Brasil.

http://meganao.wordpress.com/sopa-blackout-brasil/

PS. não consegui colocar esse Carnet indisponível por estar sem computador, mas considerem que ele está assim hoje.


2012, Música e Livros

“Fechar de quando em quando as portas e janelas da consciência, permanecer insensível às ruidosas lutas do mundo subterrâneo dos nossos orgãos; fazer silêncio e tábua rasa da nossa consciência, a fim de que aí haja lugar para as funções mais nobres para governar, para rever, para pressentir (porque o nosso organismo é uma verdadeira oligarquia): eis aqui, repito, o ofício desta faculdade activa, desta vigilante guarda encarregada de manter a ordem física, a tranquilidade, a etiqueta. Donde se coligue que nenhuma felicidade, nenhuma serenidade, nenhuma esperança, nenhum gozo presente poderiam existir sem a faculdade do esquecimento.” Nietzsche, “A Genealogia da Moral”

“La sérénité ne peut être atteinte que par un esprit désespéré et, pour être désespéré, il faut avoir beaucoup vécu et aimer encore le monde.” Blaise Cendrars

Pessoalmente, o ano de 2011 foi duro e difícil. Coisas boas aconteceram em meio a perdas e relações difíceis em todos os níveis. Não dou muita bola para esse ciclo de dias e anos, mas esse momento é sempre uma oportunidade para parar, olhar pra trás e desejar coisas boas para o futuro próximo. Espero e desejo mesmo um 2012 com mais paciência e, principalmente, serenidade.

Bom Réveillon para todos.

Que tenhamos virtude para realizar coisas boas para nós e para os outros.

Abaixo minha lista dos onze melhores livros de ficção que li e dos vinte melhores álbuns que ouvi em 2011:

Livros:

Dublinesca – Enrique Villa-Matas
Zen e a arte da escrita – Ray Bradbury
Solar – Ian McEwan
O Museu do Romance da Eterna – Macedônio Fernández
Une année sous silence – Jean-Paul Dubois
Ritmos da Vida e da Morte – Amor Oz
Sunset Park – Paul Auster
Jerusalem – Gonçalo Tavares
Jakob von Gunten – Robert Walser
La Carte et le Territoire – Michel Houellebecq
Point Omega – Don DeLillo

Música:

Wilco – The Whole Love, Yankee Hotel Foxtrot
Yeah Yeah Yeahs – Fever to Tell, It’s Blitz, Show Your Bones
Arcade Fire – The Suburbs
Cake – Showroom of Compassion
Alain Bashung – Bleu Petrole
Dirty Projectors – Bitte Orca
LCD Soundsystem – This is Happening
Local Natives – Gorilla Manor
The National – High Violet
The New Pornographers – Together
PJ Harvey – Let England Shake
Panda Bear – Tomboy
Massive Attack – Heligoland
Phantogram – Eyelid Movies
Radiohead – The King of Limbs
Charlotte Gainsburg – Satage Whisper e IRM


Willkommen in der Realität

Fui convidado para escrever sobre a europa e a crise em setembro desse ano. O pequeno ensaio, finalizado em outubro, acaba de ser publicado no “Kulturreport” do “IFA – Institut für Auslandsbeziehungen und Robert Bosch Stiftung (Hg.)”, número 4/11, com o tema “Europas Kulturelles – Aussen-Beziehungen”. O número completo pode ser acessado aqui. Nesse artigo trato da crise, de suas continuidades (estamos sempre em crise, não é mesmo?) e da particularidade da atual crise européia e sua relação com a cultura digital. O título original era “Die Krise in Europa und die digitale Kultur’, mas os editores mudaram. Aqui a versão em português.

Abaixo um trecho do artigo nas duas línguas.

(…) Die aktuelle Krise ist eine Krise der Kommunikationsmodelle. Und eine Krise dieser Art bewirkt zwangsläufig politische Veränderungen, denn der Übergang aus einer gefestigten, vereinheitlichenden Kultur, die von Konglomeraten aus industrialisierten Medienkonzernen gesteuert wird, hin zu einer informelleren Kultur, die die Herrschaft des interlektuellen Eigentums und der Autorenschaft bedroht, ebenso wie die Zentralisierung und die Kontrolle der Sender, das Monopol des Wissens sowie die wenig kreative jedoch streng hierarchische Arbeit, bleibt selten ohne Konsequenzen. Junge Menschen wollen aus der Krise raus – nicht durch Anpassung an die bestehenden Massenproduktionssysteme, sondern durch Neuerfindung. Manuel Castells zitiert ein Plakat der „Empörten“ in Spanien: „Wir haben keine Krise. Ich will dich einfach nicht mehr. (…)

(…) A crise atual é uma crise de modelos comunicacionais. E uma crise desse tipo engendra inevitavelmente mudanças políticas, já que não é sem consequência a saída de uma cultura massiva, homogeneizante, controlada por conglomerados midiático-industriais para uma mais conversacional, que coloca em cheque os regimes de propriedade intelectual e de autor, a centralização e o controle da emissão, o monopólio do saber, o trabalho pouco criativo e hiper-hierarquizado. Os jovens querem sair dessa crise, não pela sua adequação ao regime massivo-industrial anterior, mas pela reinvenção. Como diz um cartaz dos indignados na Espanha, citado por Manuel Castells: “Não é que estamos em crise. É que já não te quero” (…)

Aproveito para informar que criei um grupo temático no Facebook sobre “Cibercultrura e Teoria Ator-Rede”, para aglutinar informações e interessados nessa temática. Aqui o link para visita e adesões.


Sócrates

Sócrates jogava para frente, indo para trás com seu mágico calcanhar.
Quando todos achavam que ele ia para lá, ele voltava para cá.
A bola lá embaixo e o corpo como um espigão, ereto, lá no alto.
Cabeça erguida, olho atento, bola colada no pé, jogava andando como em um desfile.
Catwalk on the wild side.

Era jogador, terra dos incultos, e médico.
Era soldado e general, líder da democracia alvinegra.
Jogava sempre ligado, mas não queria concentração.
Era da esquerda mas, quando precisava, 
Chutava com as duas.

Como um Deus, era desmedido,
Na desmesura, ergueu a cabeça e mostrou as fraquezas.
Forte, empinou o peito mais uma vez, 
Olhou para o alto, para a torcida,
E viu a luz dos refletores.

Arrancou do meio de campo, 
Leve, bola colada no pé direito.
De repente, travou a chuteira, sorriu, 
Deu de calcanhar,
E se foi.

Sócrates, 19/02/1954 – 04/12/2011


Filtros-Bolha – Os novos portais!

Há anos, incomodado pela onda de novos Portais que invadiam a internet e susbtituiam os “sites“, escrevi em Porto Alegre, na época de uma Compós e em meio a discussões de um GT, um manifesto cujo título era “Morte aos Portais“. À época, me pareceia que a liberdade de “flanar” pela internet estava sendo ameaçada pelos portais que diziam aos usuários (e criavam estratégias técnicas e mercadológicas para que eles não saíssem de seus domínios): “fiquem aqui, aqui tem tudo, não se percam na malhas da rede”. Isso foi em 2000. Passava-se o bastão (como diz Pariser, no vídeo abaixo) dos gatekeepers da mídia de massa para os portais. Agora, um agente não-humano muito mais poderoso toma a frente: os algoritmos. Caberia aqui (mas não será agora) uma interessante análise sobre os filtros-bolha a partir da teoria ator-rede (vejam que Pariser fala mesmo de uma ética dos algoritmos).

Agora, as coisas pioraram muito. Os atuais filtros-bolha online nas máquinas de busca (Google, em especial), nos sites jornalísticos e nos sites de redes sociais (Facebook, notadamente), invisíveis, são muito mais efetivos e silenciosos na criação de uma opacidade e mesmo de uma total invisibilidade das informações. “Você não decide o que entra e você não vê o que fica de fora”, diz Pariser, definindo os filtros-bolha – a bolha informacional onde você está, sendo filtrado os dados que te chegam a partir dos diversos serviços online que você utiliza (Google, Yahoo, NYT, Facebook…). Você terá grandes dificuldades para encontrar algo que não esteja procurando. Os serviços já sabem o que é ou não bom para você. Adeus serendipity!!!.

Como criticava no meu manifesto de 2000, as possibilidades de ampliar o mundo se reduzem. É empobrecedor encontramos sempre os iguais, ou sempre aquilo que procuramos. A heterogeneidade, a diferença, a surpresa e o desconhecido são elementos fundamentais para o crescimento do conhecimento e do fazer político. Ora, com esses filtros-bolha, as possibilidades de achar o que não procuramos reduz-se drasticamente. É o preço, caríssimo, que se paga pela personalização da informação. Vejam o vídeo abaixo (via Palacios e Claudio Cardoso por email e GITS) com Eli Pariser, para ter uma noção do problema. Claro, o imponderável está sempre aí, e se estivermos atentos e dispostos poderemos sempre driblar os algoritmos. Veja aqui, por exemplo, dez coisas que você pode fazer para contornar o problema. Mas está ficando cada vez mais difícil…

Acredito que futuro da internet se joga agora na garantia do anonimato, da privacidade, no estouro desses filtros-bolha e na garantia da manutenção da neutralidade da rede em nível planetário.


State of the internet 2011

Interessante infográfico mostrando uma radiografia do uso da Internet no mundo. Destaque para as dimensões políticas, sociais e econômicas da rede de redes que é hoje a infratestrutura mais importante desse começo de século XXI. O infográfico mostra os rastros sociais que compõem a dinâmica cultural da internet: uma incubadora de mídias de função pós-massiva. Vemos assim a expansão dos territórios informacionias, da nova esfera conversacional, da cultura da mobilidade, bem como a disseminação da cibercultura remix.

Na introdução podemos ler:

The Internet is a strange, huge beast. It is getting bigger, faster and more mobile each day. Ferocious social networks fight each other to be on top and gain more of our attention and personal information. An entire economy is generated from our browsing habits.
This is the face of the Internet now.

State of the Internet 2011
Created by: Online Schools


Caixa Preta Soteropolitana

Estamos em crise com a cidade da Bahia!

Converso com as pessoas e todas estão espantadas com o atual estado da cidade. Um simulacro de cidade, parecendo ser governada, parecendo ser habitada, mas que no fundo é uma agregação de coisas e pessoas que só se mantêm e sobrevivem do improviso, do individualismo e do esquecimento (“ah, deixa prá lá!”).

Não se vai mais à praia, já que não temos mais barracas (sim, precisavam ser padronizadas, limpas, controladas, mas devem existir e fazem parte da praia no nordeste. Mas até agora, nada ainda foi feito), os pontos turísticos estão entregues ao tempo e ao abandono. O Pelourinho está nesse estado há anos (pedintes, crack, ladrões…). O que as pessoas com quem eu conversei fazem agora é ficar em casa, visitar amigos, ou ir pateticamente, ao shopping. Levo meu filho nas praças públicas, mas elas são, com algumas exceções, um lixo, literalmente. Triste cidade da Bahia.

É unanime: a cidade está abandonada, sem inteligência política ou mesmo cultural. Uma lástima por todos os lados: transito caótico, instituições falidas, violência bandida e cidadã, deselegância e falta de educação básica, caos na saúde, na limpeza, no transporte público…enfim, tudo o que uma metrópole tem de ruim, sem ter o que elas (as metrópoles) têm de bom: civilidade, equipamentos de qualidade, bons programas culturais, inteligensia, bons e agradáveis lugares para se visitar, baratos e para todos. Nada disso encontramos em Salvador.

Tenho trabalhado com a Teoria Ator-Rede e um dos conceitos fundamentais é o de caixa-preta. Caixa-preta é um “conjunto” tão estável e bem resolvido que nos relacionamos com ele e não prestamos muita atenção. Ele desaparece em um fundo quando tudo está bem. Por exemplo, se o seu computador está ok agora, você nem pensa nele e pode continuar e ler o meu post. Mas se começar a travar, a desligar ou incomodar de alguma outra forma a sua leitura, você começa a pensar nele, a buscar saber de onde vem o defeito, quais seriam as causas. Você vai prestar atenção (ele sai do fundo) e tentar, aos poucos, resolver o problema. A caixa-preta se abre e revela os seus segredos: os problemas técnicos, de projeto, de design, de interface, de regulação, de política, de mão de obra etc.

O objetivo da teoria ator-rede é abrir as caixas-pretas do social por meio de controvérsias. Só assim o social pode aparecer, enquanto rastro das diversas associações entre humanos e não-humanos. Ao cientista social cabe fomentar controvérsias e abrir caixas-pretas. Elas não são apenas “coisas”. Um conceito estabilizado, por exemplo, é uma caixa-preta. Um estereótipo é uma caixa-preta.

Quando não conseguimos abrir a caixa preta, ela é tida como a realidade. A realidade é um enunciado difícil de derrubar, vai dizer Bruno Latour. Precisamos abrir caixas-pretas para ampliar a nossa noção de realidade, a nossa vivência nela, ou simplesmente questionar o que pensamos sobre ela. Assim, se digo que o brasileiro é um “homem cordial” ou que Salvador é uma “cidade da alegria”, para muitos isso tem um efeito de realidade. É inquestionável. Mas, para os chatos e implicantes, deve-se sempre abrir essas caixas-pretas e revelar o que está por trás (ideologicamente, politicamente, socialmente, culturalmente, tecnicamente…). Só assim poderemos, por exemplo, conhecer melhor o que se entende por Brasil ou por Bahia.

Devemos fazer isso em Salvador para compreender melhor os seus problemas. Mas o nosso problema aqui (em Salvador, mas seria também no Brasil?) é que não há mais caixas-pretas. Tudo está aberto, escancarado, revelando de forma tão visível, límpida e até mesmo pornográfica, as entranhas complexas (sociais, econômicas, políticas, técnicas, culturais…) dos seus problemas.

A violência no dia a dia abre a caixa-preta dos que vivem achando que aqui todo mundo é de Oxum, de paz e de alegria, ou dos que vivem em seus carrões blindados e/ou em condomínios de luxo fechados, achando que tudo só acontece lá na periferia. A caixa-preta abriu, revelando que todos estão vulneráveis, que a polícia é incompetente e a política pública de segurança ineficaz. A chuva que cai agora em Salvador, como todas as outras, abre o asfalto, entope os esgotos, desliza as casas nas encostas, apaga os semáforos…As caixas-pretas estão todas abertinhas, e só não vê quem não quer: péssimas condições das obras viárias, da habitação e de sua política, do transporte público, dos equipamentos e da infraestrutura de energia elétrica…

A cada chuva os semáforos se apagam e a caixinha abre: problemas técnicos, de licitação dos equipamentos, de infraestrutura urbana, de suporte e manutenção elétrica, de ineficácia dos orgãos responsáveis, de descaso e desorganização…O metrô é a piada pronta de sempre (lento, lento, como tudo na Bahia, dizem!). Os seus intermináveis 6 km (ah!) não ficam prontos, mas não há segredo. Todos já vimos essa caixa-preta aberta: corrupção, incompetência, descaso com a coisa pública e mais corrupção e rios de dinheiro. As estradas, como a BR 324 agora no trecho SSA-Feira de Santana, por exemplo, foram privatizadas e o pedágio cobra com uma eficiência robótica, mas os buracos e as péssimas condições continuam. Precisa abrir a caixa-preta? O Ferry Boat, desde a sua privatização, insiste em fazer os usuários de bobo e as mazelas são todas conhecidas (incompetência, impunidade, descaso político…).

Precisamos abrir as caixas-pretas? Claro que não. Elas estão escancaradas. Todos sabemos o que ocorre: péssimas licitações, falta de seriedade e de respeito, ganância, descontrole e falta de fiscalização do Estado…Aqui tudo é muito óbvio. As caixas-pretas vão se abrindo sozinhas. Nem precisamos nos esforçar muito para ver as coisas. Está tudo aí, visível: a precariedade da infraestrutura da cidade, a inapetência e incompetência dos gestores, o descaso burro e míope das elites, a ignorância e mal educação das pessoas na rua, o descaso com o outro e com a coisa pública no dia a dia (que é um sintoma do “dane-se, vou cuidar do meu”). Ninguém pode dizer que as caixas-pretas estão fechadas. Sabemos de tudo e conseguimos ver tudo a cada pequeno problema (as caixinhas se abrem todas, facilmente, a cada nova chuva, a cada novo jogo em Pituaçu, a cada festa de largo, ou na casa do vizinho, a cada ida ao Pelourinho para mostrar à tia que chegou de São Paulo…).

E isso é o que mais me assusta. Se abrir caixas-pretas é condição fundamental para alterar a realidade, para questionar os enunciados estabilizados, o que estamos esperando então? Se nada acontece por aqui, quando todas as caixas pretas estão abertas e não temos a desculpa de dizer que não estamos vendo, como poderemos ter esperança em alguma mudança? Um salvador ou um herói aparecerá na próxima eleição? Ora, já abrimos essa caixa-preta também!

Não há mais caixa-preta, ninguém acredita em mais nada, a realidade está em aberto, mas ninguém sabe o que fazer. Tudo está sendo questionado, tudo está escancarado, mas ninguém tem a menor ideia em como construir o presente. A barbárie está batendo nas nossas portas.

Que a esperança, sempre pendurada na caixa de Pandora, nos salve!

PS. Como sempre, falo de onde estou, mas tenho certeza que isso se aplica também a quase todas (se não todas) as capitais do Brasil. Olhe ao redor e tente abrir as suas caixas-pretas, se é que elas já não estão também escancaradas em suas cidades!


Porto Digital – Boipeba

Em Boipeba, sul da Bahia, o cais é um hub, é também um território informacional, ele é um porto digital. Aqui, o mar dita o ritmo da vida na cidade, que vibra ao sabor das marés, do vai e vem das ondas, do vai e vem das coisas.

É comum ao longo do dia, mas, mais frequentemente no fim do dia, as pessoas buscarem conexão a partir desse lugar, já que aqui temos a melhor recepção no celular e no modem 3G para conexão a internet ou simplesmente para poder falar no celular.

Como se vai em alguns momentos ao porto receber alguém, da mesma forma, em alguns momentos, se vai ao porto para se conectar à rede ou ao celular, para escrever e responder emails, para ver tweets, para um acesso rápido à web.

A comunicação digital é precária, como é precário a estrutura física do porto. Mas, para pessoas, mercadorias, objetos e agora, bits, ele é um dos poucos pontos de entrada na ilha. Um hub de embarcações, um hub de comunicações, um hub de dados. Ele é um dos seus poucos “territórios informacionais”.

Escrevi em artigo em 2008:

“Por territórios informacionais compreendemos áreas de controle do fluxo informacional digital em uma zona de intersecção entre o ciberespaço e o espaço urbano. O acesso e o controle informacional realizam-se a partir de dispositivos móveis e redes sem fio. O território informacional não é o ciberespaço, mas o espaço movente, híbrido, formado pela relação entre o espaço eletrônico e o espaço físico. Por exemplo, o lugar de acesso sem fio em um parque por redes Wi-Fi é um território informacional, distinto do espaço físico parque e do espaço eletrônico internet. Ao acessar a internet por essa rede wi-fi, o usuário está em um território informacional imbricado no território físico (e político, cultura, imaginário, etc.) do parque, e no espaço das redes telemáticas.”

O cais é o lugar por onde chegam pessoas, mercadorias e agora dados. Lugar de comunicação, de conexão e de distribuição. De pessoas e de bits. É porta de entrada e de saída. O porto é um território informacional, lugar de encontro, de desencontros, de chegadas e partidas.

O porto de Boipeba é o mesmo porto, aumentado.