Information Territorialization

New article published, written with my friend Rodrigo Firmino. More are coming in 2016!Screen Shot 2016-01-22 at 10.50.48.

I Connect, Therefore I am! Places, Locales, Locations and Informational Territorialization.

Revista Estudos do Século XX. n. 15, Imprensa da Universidade de Coimbra, Coimbra, Portugal. pp. 17-34, ISSN – 1645-3530, DOI – http://dx.doi.org/10.14195/1647-8622_15_1

Abstract:

What connects us to certain locations? What determines the possession or ownership of certain locales? What is our place in cities? What are the informational boundaries of places and territories in contemporary cities? In this essay, we discuss the epistemological particularities of these concepts and try to differentiate them in order to clarify the processes of informational spatialization through tangible and intangible connections between our bodies, our minds, and our info-communicational presence in space. We seek to build an understanding of how to think through the different forms of spatiality (territorialization, placemaking, locales, locations, etc.), and the recent developments in the human experience with information and communication technologies, especially those most directly related to, or dependent on, geolocational and control functions. Finally, we highlight the importance of politicizing places and technologies to improve understanding of the processes involved in the turning of locales into places.

Feliz Ano Novo

Mudanças e Permanências

O filósofo francês Michel Serres diz que os objetos freiam o tempo, que eles ajudam a diminuir a velocidade das revoluções humanas. Eles, de certa maneira, nos acalmam, já que cristalizam redes dinâmicas que tornariam o tempo insuportável. Sem eles teríamos que, a cada momento, tudo reinventar. Objetos, como aquilo que está jogado à nossa frente, nos atrapalha na caminhada, nos faz tropeçar e diminuir o ritmo. Ainda bem. Sem eles não somos nada. É na dinâmica da nossa relação que construimos o mundo. Somos tão interligados que Serres prefere falar de “quasi objetos” e “quasi sujeitos”. Podemos, com e através dos objetos, ver o mundo em câmera lenta ou acelerado, com certo conforto das estabilizações, ou com o incômodo das mudanças radicais e imprevisíveis. Com eles, vislumbramos a dinâmica das mudanças e permanências.

O cais lá fora reune e estabiliza diversos objetos, a começar pela água calma, represada de certa forma, dando abrigo a barcos, docas, pontes, passadiços, portos. A água assim estável, tremendo em pequenos movimentos de superfície causados pelo fraco vento, congela o mundo e parece fazer tudo parar no leve balanço das ondulações. As ruínas do moinho abandonado à esquerda do Canal Dock, onde mal se lê o que antes parecia ser a marca de “Bolands Flour Mills”, são a prova das mudanças e permanências. Esses objetos do cais, no entanto, não dão a ilusão de que tudo está estabilizado e resolvido, pois olhando-os com mais atenção pode-se perceber que está vibrando em mínimos, mas constantes, deslocamentos. O moinho abandonado e as janelas de vidro quebrado, os barcos com novas e velhas pinturas, o atracadouro rangendo aqui e acolá… acumulam histórias forçando lentamente o passado e o futuro a fundirem-se agora. O cais materializa essa essa dubla ação velada em segredo em cada um dos seus objetos: o que passa e o que fica.

Nenhuma pessoa circulando, barcos parados e quase imóveis em leve flutuação, moinho continuando sua degradação lenta e constante. Nada perturba a imobilidade do canal e de seu porto. Mas, certamente, essa situação é apenas temporária. Parece uma foto, mas é a vida passando. Tudo pode mudar em instantes.

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No Art of Coffee, ao lado do cais, pessoas entram e saem a todo momento, sem incomodar a calmaria lá fora. O mundo se sustenta na contenção das fronteiras entre esses lugares. Uma comunicação tênue entre bordas não perturba a ordem aparente das coisas. O cais limita o estranho e moderno prédio, indiferente, imperturbável. Tudo bem contido nesse lugar-café com seus aromas e sons característicos de todo e qualquer café hoje. Mesas e poltronas acolhem pessoas espremidas em poucos metros quadrados consumindo os mesmos scones, geléias, croissants, tortas, espressos, flat white e cappucinos. Executivos usando terno e gravata entram e saem misturando-se a jovens em roupas casuais, discutindo sabe se lá o quê, compenetrados, turbinados pela cafeína (se o fornecimento de café se interromper um dia, essa cidade para). As dez mesas distribuídas na área interna estão cheias. As oito da área externa não, sendo pouco ocupadas nesse belo dia de sol e muito frio.  Mas, certamente, essa situação é apenas temporária. Parece um filme, mas é a vida passando. Tudo pode mudar em instantes.

Um violento espirro quebra a harmonia, vírus e bactérias invadem o ar, como por efeito de uma bomba, tudo se deforma e mesmo o velho moinho parece ganhar vida. Antes indiferente e imperturbável, ele é atingido em cheio por essa violência sonora, abalando sua aparente prepotência e imobilidade. Portas e janelas do café se movem, um ar frio invade o lugar, do moinho é possível ouvir o som de máquinas rangendo aqui e acolá, as vidraças quebradas se movem, croissants caem das mesas, garrafas, pratos, garfos e copos titilam e cintilam, barcos balançam, ondas se formam interrompendo a outrora calma superfície das águas e o pier poderia desequilibrar passantes, se houvesse. Gaivotas, Magpies e Robins partem em revoada, prevendo o pior.

Lá fora, o que era um fraco vento transforma-se em tormenta. Em instantes tudo parece sair do lugar através de ondulações imperfeitas, estranhas e nervosas. A luz do sol faz tudo balançar em sombras, parecendo ir embora. Nuvens negras se aproximam rapidamente e os primeiros pingos são ouvidos. O vento rapidamente desaparece e com a água que cai, o cais e o café reassumem suas posições, as vibrações cessam aos poucos e a ordem se restabelece, mas em um novo cenário agora, lembrando que é assim o tempo em Dublin: sol agora, chuva em 15 minutos, sol de novo, depois tudo cinza, brisa, ventania, tempestade, calmaria…

***

Que mude o que precisa ser mudado, e que permaneça o que precisa ser mantido em 2016!

Feliz ano novo!

Há 20 anos, na Salle Louis Liard…

 

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Salle Louis Liard, Sorbonne, Paris.

Hoje, há exatamente 20 anos, nesse mesmo horário, estava defendendo a minha tese de doutorado em presença de Irene Pineiro e meus queridos colegas do CEAQ/Paris V. Fui arguido pelos mestres Michel Maffesoli (meu orientador), André Akoun (1929-2010), Pierre Fougeyrollas (1922- 2008) e Pierre Lévy que compuseram a banca examinadora. Fui aprovado com  menção “Très honorable avec félicitations” (a mais alta distinção acadêmica em um doutorado na França). Fiquei muito feliz pelo coroamento de quatro anos de muito estudo, dedicação e esforço. Devo muito a Irene e a todos os colegas a amigos do CEAQ/Paris V, a Maffesoli,  e ao ambiente de cooperação acadêmica e ajuda em momentos de crise.

Lembro da arguição. Pierre Fougeyrollas falou de um “reenchantement Lemosien”, Pierre Lévy que esta seria a primeira tese que ele conhecia sobre Cibercultura, Michel Maffesoli, como orientador, apenas me apoiou e André Akoun apontou interessantes questões sobre a ciência e a técnica. Uma banca muito tranquila e sem pegar muito no meu pé, com mais elogios do que críticas. Eles foram muito gentis comigo. E lembro, claro, da comemoração.  Primeiro do “pot” (vinhos e belisquetes de praxe após cada “soutenance” – lembro do Luis Martino vindo me pegar em casa de carro para me ajudar a trazer os vinhos e as comidinhas…) nos fundos da Salle Louis Liard, e depois da festa com os amigos (Juremir Machado da Silva, Luis Martino, Rosa Lucila, Cesar e Rosane Nitschke, Olivier Cathus, Bertrand Ricard, Federico Casalegno, Natasha Perez, Ugo Ceria, Geraldine Adam, Celma e Francis…e tantos outros brasileiros, franceses, italianos – me perdoem por não citar nominalmente todos), primeiro na casa de Federico e depois em bares e restaurantes pela cidade (não lembro de todos por causa do teor alcoólico depois da defesa…). Devo ter fotos, mas não estão comigo nesse momento. Uma pena, adoraria rever a cena!

Tempo maravilhoso, com amigos fantásticos e de um grande aprendizado para o resto da vida. O que da maturidade tenho (de bom e de ruim) veio desse período na França. Estou marcado para sempre. Como diria Gilberto Gil, a França, Paris  e a Sorbonne me deram “régua e compasso”. Vou tomar um Bordeaux para comemorar!

Data Ethics Workshop – Predict 2015

Amanhã participo como ouvinte (como é bom isso!) do Data Ethics Workshop, organizado pela Inisght, um dos maiores centros sobre Data Analitics da Europa no Royal Dublin Society.

800_800_31401_front634650768101243186O evento faz parte de uma conferência maior, Predict, sobre algoritmos e big data. Espero em breve colocar reflexões sobre esses temas de forma mais articulada.

Em pouco tempo, desde que cheguei em Dublin nos últimos dias de agosto, participei de três eventos nos quais os algoritmos e os dados digitais são aspectos centrais nas interrogações sobre os desafios da sociedade contemporânea (City and Data, em Maynooth, e o Workshop do projeto de cooperação Newton Fund em Bristol e Plymouth sobre “augmented urbanism”). Vejam os posts anteriores.

Pode-se notar um cruzamento constante e interessante de indagações vindas da geografia, da arquiterura, da engenharia de softwares, da sociologia, da filosofia… e da comunicação. Uma das questões centrais no debate é justamente a mediação como forma de comunicação. É nessa nova qualidade da mediação que aparecem os problemas atuais mais urgentes: previsões e antecipações, sistemas inteligentes (smat city, house, saúde…), proteção de dados pessoais…Tudo isso está em discussão justamente pela força mediadora das tecnologias e dados digitais.

Um dos objetivos do workshop é discutir a proposta de uma Magna Carta for Data que poderia (deveria) ser adotada globalmente para estabelecer novas formas de conduta de organizações, empresas, usuários, serviços, tecnologias…A proposta está em discussão, assim como a similar (mas mais restrita do que a proposta de uma Carta Magna) lei de dados pessoais no Brasil.

Newton Fund – Step 3 – Bristol and Plymouth

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Dublin. My Odyssey is in its beginning. Last  week, “Data and the City” workshop in Maynooth. Tomorrow, Newton Fund activity in UK. It’s the “Augmented urbanity and smart technologies: how “smart” are our cities becoming?” RCUK-CONFAP International Network next step with my colleagues from Durham University, Facom – UFBA and PUC-PR. The previous meetings were in Durham/Glasgow and Curitiba. After Plymouth, it’s Salvador-Bahia turn, on December!

The program proposed by our colleagues from Plymouth University (Alex and Katherine) is very exciting, trying to move toward a better understanding of smart cities, Internet of things and big data issues. We’ll see the projects and talk with people from Bristol Open (“city operating system”, “city experimentation as a service”), Bristol Playable City (a counterpoint to “Smart City”) and Citizen Canvas (or “how to humanise smart cities?”). This is our first day.

The next two days will be in Plymouth in a very intense workshop. All the research team will present a paper to discuss. I’ll present “Smart Cities in Brazil. Experiences under way in Búzios, Porto Alegre and Rio de Janeiro” (Lemos, Mont’Alverne) (unpublished). Abstract: “In contrast to the more aggressive BRICS countries, like China or India, the smart city phenomenon is still in its infancy in Brazil. In this article we present the experiences of three urban areas: Búzios, Porto Alegre and Rio de Janeiro. As well as describing and analysing these three Brazilian experiences, the article proposes a global model for smart city projects, based on “Conception,” “Organisation” and “Action,” and advocates the use of Actor-Network Theory (ANT) (LATOUR, 2005) as a useful theoretical framework for analysing this phenomenon.”

Data and the City

Chegando para o meu estágio sênior na Irlanda, participo na próxima semana do workshop Data and the City no The Programmable City Lab da NUI-Maynooth. Abaixo o abstract. O excelente programa pode ser visto no link acima.

Data and the city

The Programmable City Project is hosting a two day invite-only workshop on the relations between data and the city. The Data and the City Workshop will take place on August 31st and September 1st 2015 and will bring together 20 invited experts in the field and the ProgCity team. A description of the workshop and the agenda are below with links to some of the papers to be presented that are already available online:

There is a long history of governments, businesses, science and citizens producing and utilising data in order to monitor, regulate, profit from, and make sense of the urban world. Data have traditionally been time-consuming and costly to generate, analyze and interpret, and generally provided static, often coarse, snapshots of phenomena. Recently, however, we have entered the age of big data with data related to knowing and governing cities increasingly become a deluge; a wide, deep torrent of timely, varied, resolute, and relational data. This has been accompanied by an opening up of state data, and to a much lesser degree business data, and the production of volunteered geographic information. As a result, evermore aspects of everyday life — work, consumption, travel, communication, leisure — and the worlds we inhabit are being captured as data and mediated through data-driven technologies. This data revolution has produced multiple challenges that require critical and technical attention — how best to produce, manage, analyze, and make sense of big and open data, data infrastructures and their consequences with respect to urban governance and everyday life. The workshop will examine such critical and technical issues across the five thematic areas of: critically framing data, data infrastructures and platforms, data models and the city, data analytics and the city, ethical and political issues.