Cultura Digital e Antropoceno

Livro publicado agora pela èditora Sulina

O livro “Cultura Digital e Antropoceno”, apresentado como o relatório de uma visitante extraterrestre, é uma obra ambiciosa e provocativa que busca realizar uma crítica profunda à crise ambiental do Antropoceno e à sua relação com a cultura digital.

Sua principal força reside na abordagem inovadora e multifacetada. A metáfora da visitante alienígena permite um olhar externo e crítico sobre o planeta, desnaturalizando a perspectiva humana e revelando a complexidade da crise climática.

Ao adotar a “quadratura” de Heidegger como estrutura — explorando espaço, céu, cidade e terra —, a narrativa constrói um argumento coeso e visualmente impactante, demonstrando como as materialidades do digital se manifestam em todas as esferas do mundo humano.

A obra questiona a imaterialidade digital, argumentando, com base em dados e referências acadêmicas, que a cultura digital é uma extensão do projeto modernizante, com uma pesada e poluente infraestrutura. Ele detalha o consumo colossal de energia e água dos data centers, a pegada de carbono de uma simples busca no Google ou de uma interação com a IA, e o aumento da produção de lixo eletrônico.

Ao vincular a extração de minerais à violência e ao neocolonialismo, a obra torna visível o custo humano e ambiental de tecnologias que parecem limpas e leves, denunciando a lógica extrativista do capitalismo de dados.

Adicionalmente, a obra se destaca pela integridade teórica e interdisciplinaridade. O autor articula conceitos complexos como a “agência distribuída” de Latour, a “intra-ação” de Barad, o “neomaterialismo” e as “cosmologias indígenas” para construir uma crítica robusta e não antropocêntrica.

Ao valorizar a ética da dependência em oposição à independência, a obra oferece um caminho conceitual e político para superar a crise, defendendo a necessidade de novas “ficções” e narrativas que engajem a humanidade de forma coletiva.