Things (and People) Are The Tools Of Revolution!

Esse post foi escrito em vrios dias, muitos deles, sentado no quarto de um hospital. Publico hoje, com muita tristeza e pesar. Para meu pai, Andr Ferreira Lemos, in memoriam.

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Muitos artigos tm discutido o papel das mdias sociais e telefones celulares nos atuais acontecimentos no norte de frica e Oriente Mdio: Tunsia, Egito, Barein, Lbia, Imen, Marrocos… Uma verdadeira avalanche revolucionria atinge pases dominados por ditaduras ancestrais e/ou por fundamentalismos religiosos. O que estamos assistindo uma revoluo de jovens que pedem a sada de regimes autoritrios em nome da liberdade e da melhoria das condies de vida, sem slogan anti-imperialista ou bandeiras religiosas. A formao de um novo Mundo rabe, sem ditaduras militares apoiadas pelo Ocidente ou teocracias fundamentalistas (embora ainda seja cedo para saber o que vai acontecer) , junto com os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001, os maiores eventos do ainda debutante sculo XXI.

As redes sociais, principalmente Blogs, Twitter e Facebook, e os celulares, com fotos, vdeos e SMS, tm sido atores fundamentais nesses levantes. Vejam esse interessante mapa mostrando a penetrao de telefones celulares, internet e Facebook nos pases do Norte de frica e Oriente Mdio. H debate sobre se essas novas ferramentas produziram ou no a revoluo, o que alguns esto chamando de Revoluo 2.0. A questo que tem sido colocada, a saber se as redes sociais e celulares so apenas ferramentas, instrumentos, meios ou atores, aponta para uma m compreenso do papel dos objetos na vida social. comum afirmaes de que objetos so “apenas” ferramentas. essa a sua essncia, seu modo de existncia.

Para compreender o papel do Twitter, do Facebook, dos celulares e Blogs nos atuais levantes nos pases rabes, e para afirmar no final que eles so agentes que produziram as atuais revolues, vou sustentar aqui (um work in progress como um exerccio baseado na metafsica de Bruno Latour e sua Teoria Ator-Rede – Actor-Network Theory ANT) que:

1. No h essncia ou imanncia;
2. Toda agncia depende da associao em causa e;
3. Agentes no-humanos no so entidades passivas.

Um martelo, um computador, leis e normas, um telefone celular, um blog, o Twitter ou o Facebook no so ferramentas, meios, intermedirios, por um lado, ou agentes, mediadores, tradutores, atores, por outro. A ANT sustenta que no h essncia, e que os objetos citados podem exercer um ou outro papel a depender das associaes criadas. Para evitar pensar os agentes apenas como humanos, a ANT prefere o termo actante que, vindo da semitica greimasiana, remete a tudo aquilo que gera ao. Portanto, no h essncia, e actantes humanos e no-humanos assumem determinados papis a depender das associaes que se constituem em determinada ao. Se no h ao, no h nada e eles no so actantes. Por exemplo, cartas e bilhetes foram actantes no-humanos importantes em eventos e guerras passadas (na Grcia, na Primeira Guerra Mundial, nas revolues polticas do sculo XX, etc.). O mesmo podemos dizer do rdio e da TV. Em alguns momentos so meros intermedirios (no modificam outros agentes e no produzem diferenas), em outros, so actantes, agentes produzindo diferenas, aes (pode ser um martelo, um computador, um artigo cientfico, uma lei…).

No caso em questo, podemos dizer que Blogs, Facebook, Twitter, celulares…, agiram como mediadores e foram tradutores de aes de/para outros actantes que ganharam vrias dimenses (as ruas, as emisses televisivas, os artigos, etc.) e fizeram com que as ditaduras da Tunsia e do Egito cassem. Eles podem no ter funo mediadora no futuro, j que no h essncia ou potncia velada, s associaes que se fazem ou no no tempo. Como diz Latour: essncia existncia e existncia a ao. No fundo, a discusso sobre se as mdias sociais e telefones celulares fizeram a revoluo se perde na polarizao entre sujeitos (que tm uma essncia – ser o mediador e senhor da agncia) e os objetos (que tm uma essncia – serem apenas intermedirios, ferramentas, instrumentos, meios). No caso das revolues atuais, vrios textos (ver mais abaixo) consideram que as ferramentas digitais foram o que so: apenas ferramentas, meros intermedirios, meios de comunicao.

comum pensar que uma revoluo que se preze s pode acontecer, e ser assim nomeada, se for feita por “sujeitos” livres, independentes dos objetos (que no podem ter papel ativo na ao). Pessoas so independentes das ferramentas. Objetos so, no mximo, instrumentos, epifenmenos dos eventos. Levantes “legtimos” so feitos por “sujeitos” livres, por subjetividades que compem essa nova “multido” emancipadora. O sujeito no se mistura ao objeto e, para ser sujeito, deve mesmo ser o mais independente possvel dos objetos, deve se livrar das amarras para achar o seu ncleo velado no interior. Esse o ponto crucial do equvoco: a dicotomia que separa sujeito e objeto (como se isso fosse possvel!). No entanto, se retiramos os objetos, no encontraremos mais sujeitos!

Vejam alguns exemplos desse debate no artigo de Manuel Castells; em matria no Le Monde sobre juventude ps-islamistas, e tambm aqui perguntando se “Les Rvolution Arabes sont-elles des ‘rvolutions 2.0’?”; no texto de Charles Hirschkind sobre a importncia do Facebook e do Twitter no Egito; no artigo de Devin Coldewey afirmando que “pessoas, e no coisas, so as ferramentas da revoluo” (o ttulo bem interessante, da a brincadeira com o ttulo desse post); na discusso motivada pelo texto “A revoluo no ser tuitada”, de Malcolm Gladwell; e em diversas contribuies na lista air-l@listserver.aoir.org da Association of Internet Researchers.

As mdias sociais fizeram sim a revoluo, mas em uma rede de atores. No foi uma revoluo das empresas Facebook ou Twitter. Essas redes sociais foram agentes produtores de mediaes na alavancagem dos acontecimentos nos pases rabes. Nesse sentido, Facebook, Twitter, Blogs, telefones celulares, entre outros actantes no-humanos, fizeram as revolues ao entrarem em associao com outros actantes (pessoas, discursos, dados sociais – desemprego e baixos salrios, informaes sobre corrupo e violncia policial, mdia internacional, panfletos, pedras, etc.). difcil achar uma agncia puramente humana nesses fenmenos de associaes, tradues e mediaes. difcil achar ao puramente humana, tout court! Nas revolues que reconfiguram agora o Mundo rabe, podemos dizer que atores humanos e no-humanos entram em mediaes e tradues que as produziram. Sustentar o contrrio , em primeiro lugar, negar os fatos e, em segundo, se apegar uma separao essencial entre sujeito e objeto, natureza e cultura que apaga os actantes no-humanos. Como Latour, reivindica-se aqui uma filosofia orientada ao objeto, uma metafsica emprica. Descreva essa revoluo (ou qualquer outra associao) at o seu esgotamento e vers todos os actantes que a produzem!

Para os que compreendem o mundo a partir da grande Bifurcao (segundo termo de Whitehead), uma “legtima”, “essencial” e “imanente” revoluo s pode ser feita por sujeitos “puros”, desamarrados de quaisquer relaes com “atores no-humanos” (que s viriam a contaminar a sua essncia – muitos artigos denunciam essa mcula). Essas revolues so “Sociais”, com S maisculo, como aquilo que produzido por sujeitos humanos. A ANT se ope a essa viso do Social. Para muitos analistas, as atuais revolues estariam latentes, aguardando sua atualizao como um devir, uma resoluo de poderes, uma imanncia da multido, em potncia. Essa Sociologia do Social, como afirma Latour, esconde os actantes sob o manto das grandes narrativas (Poder, Imprio, Multido, Estrutura) e no nos permite ver a sociologia das associaes (entre humano e no-humanos) que revelam verdadeiramente o social. Como afirma Latour, o social no a explicao das associaes, como aprendemos na escola. Ele o resultado dessas associaes. E podemos facilmente retraar as associaes: vejam os artigos citados, os logs dos SMS, os posts nos blogs, Facebook e Twitter etc., para uma cartografia dessa controvrsia.

Ora, uma revoluo sem actantes no-humanos no aconteceu no Norte da frica, no acontece agora no Oriente Mdio e talvez no seja exagero afirmar que nunca tenha acontecido na histria da humanidade. Toda luta poltica, todo levante, toda ao que possa ser chamada de social (criada por associaes entre actantes que traduzem e mediam uns aos outros) s acontecem pelas conflituosas, difceis e tensas relaes entre humanos e no-humanos. Cabe analisar em que momento, a partir dos rastros das aes, determinados actantes no-humanos serviram como mediadores, como tradutores, e em que momentos eles se calaram (no produzindo aes). Como vimos acima, a essncia no existe e a agncia se d (ou no) na associao. Como pensar que guerras e levantes seriam realizados sem discursos das mais diversas ordens, sem imagens (fotografia, cinema, TV), sem armas, sem propaganda, sem panfletos, sem imprensa, sem telefone, sem rdio… Onde encontraremos um sujeito desprovido de seu hibridismo com o objeto?

Sim, ferramentas podem ser apenas intermedirios quando no produzem diferenas, quando no traduzem outros agentes, ou seja, quando no produzem ao! Mas no a priori. Nas revolues que aconteceram no Egito e Tunsia (veremos o que acontecer nas outras), os rastros deixados confirmam que celulares, mdias e redes sociais (assim como o telefone fixo, satlites, TV, megafones, apitos, armas improvisadas, pedras, etc.), agiram como mediadores e tradutores de outros agentes (humanos e no-humanos) e fizeram sim, as revolues. E parece que esto fazendo tambm as que esto em curso na Lbia, Barein, Imem…

Vejam como, erroneamente, Dan Patterson da ABC News afirma que Twitter is a tool, the web is a medium, and journalism is an action (via @liaseixas). Essa frase exemplar do que queremos mostrar nesse post. Para Patterson, o jornalismo ao (no seria ele ao de relatar acontecimentos?) onde agentes humanos (mas e as mquinas, as instituies, as redes de distribuio, etc?) tm o contrle da agncia. J os no humanos, Twitter e Web so ferramenta e meio, mdia, respectivamente (vejam como a ANT pode nos ajudar nos estudos das mdias, embora seja pouco conhecida na rea de comunicao no Brasil!). Mais uma vez, credita-se uma suposta essncia. Mas o Twitter usado pelo Jornalismo na Web seria o qu? E a Web? Ferramenta, ao ou mdia?

Aqui est de novo a grande Bifurcao. Aqui comea a confuso. Como dissemos, tudo depende da associao. Ferramentas podem ser intermedirios, quando no produzem ao, ou actantes, quando, em conjuno com outros, realizam eventos. Pensar como Patterson significa eleger a separao entre atores humanos e no-humanos dando privilgio a um dos plos, no caso o Jornalismo (bom, ele jornalista!). O jornalismo efetivamente produz ao, ele est certo, mas no ao. No entanto, como explicar essa ao? Como esse sujeito jornalismo a produz? No seria a ao do jornalismo fruto de um conjunto de associaes entre actantes humanos e no humanos, sem que haja a priori um que seja o sujeito da “ao”, outro a “ferramenta” e um outro o “meio”? Como agiria o jornalismo sem os editores, os reprteres, as agncias de notcias, as indstrias culturais, os professores e escolas de comunicao, as empresas publicitrias, os distribuidores, o jornaleiro, o papel jornal, a banca de jornal, os computadores, os telefones, o celular, o fax e … a internet e suas expressoes como o Twitter e a Web? No caberia investigar caso a caso? Como pode um jornalista pensar e agir sem outros jornais, jornalistas, empresas, indstrias, publicidade, computadores, telefones, satlites etc.? Quem faz a ao um sujeito no-hbrido livre de relaes no instrumentais? Podemos separar de um lado o jornalismo e do outro as ferramentas e meios?

Para Patterson, o jornalismo um sujeito, uma estrutura que cala os actantes no-humano. Ele s v essncias: jornalismo ao, Twitter ferramenta, Web meio. Dito dessa forma, jornalismo apenas um nome que apaga os demais actantes em uma grande Narrativa. Dizer jornalismo o mesmo que no dizer nada. No descreve o que ele nem esclarece sobre sua prtica. Apenas qualifica: Ao! como dizer Poder, Imprio, Multido sem se ater s descries. Retire do jornalismo a internet, as empresas jornalsticas, as universidades e professores de jornalismo, os jornaleiros, os distribuidores, os computadores, os celulares, os orgos reguladores, o papel jornal, a web…e veja se voc ainda o v algum sujeito livre de amarras!

Falamos aqui do jornalismo, mas podemos dizer o mesmo da nossa atividade acadmica: como produzir um texto acadmico sem a universidade, a sala de aula, os alunos e os grupos de pesquisa, o computador, a internet, o financiamento pesquisa, as revistas acadmicas, os livros, os pares avaliadores, etc.? Como diz Bruno Latour, um Boing no voa. O que voa so companhias aras. Podemos dizer o mesmo do jornalista ou de ns pesquisadores. Quem faz pesquisa e produz textos no o gnio solitrio, um sujeito (humano) puro, em sua essncia genial, mas uma instituio que associa diversos actantes (humanos e no-humanos) – a Universidade! A genialidade de um pesquisador, ou jornalista, ou artista, ou mdico, vem da forma como ele entra em associao com outros actantes humanos e no-humanos. A genialidade e originalidade de uma ao no vm da independncia de outros actantes, mas justamente do contrrio: das boas associaes estabelecidas.

Da mesmo forma, se as mdias sociais foram apenas ferramentas, tente ento retirar dos fatos (rastros) produzidos nos eventos revolucionrios rabes esses mesmos artefatos (Twitter, Facebook, celulares…) e veja se voc ainda consegue ver o fenmeno. Retire as “ferramentas” das matrias escritas, dos programas de TV, das informaes na Internet, das discusses no rdio, apague os logs de SMS, os post nos diversos Blogs, as pginas do Facebook, os relatos e informaes no Twitter, os vdeos e fotos dos celulares… e veja se voc ainda consegue ver as revolues realizadas no Egito e na Tunsia.

No preciso insistir, mas bom lembrar, que isso no quer dizer que os agentes no-humanos agem sozinhos. Acho que essa questo nem mesmo deveria ser colocada, se me fiz compreender nos pargrafos anteriores. Mas bom repetir:

No uma revoluo do Twitter, no uma revoluo do Facebook. No uma revoluo sem Twitter, no uma revoluo sem Facebook. uma revoluo na qual as mdias e redes sociais se constituram como actantes importantes para a associao que a realizou.

Como vimos, a ao se d pela associaes de diversos mediadores (que no so em essncia mediadores, mas que agem em determinado momento como tais) e no a partir de um sujeito ou de um objeto que teriam o monoplio da agncia ou uma essncia. Deve-se, ento, abolir essa falsa separao para que possamos pensar os eventos em sua complexidade, para alm da polarizao “physis” – “techn”, “sujeito” – “objeto”, “natureza” – “cultura”. Os eventos atuais nos pases rabes podem nos ajudar a reconhecer uma “poltica da composio” para avanar na constituio de uma filosofia dos objetos e de uma sociologia das associaes que no coloquem apenas no sujeito humano a primazia da ao. Vejam o que afirma Latour sobre essa poltica no seu recente Manifesto Composicionista:

“Nature is not a thing, a domain, a realm, an ontological territory. It is (or rather, it was during the short modern parenthesis) a way of organizing the division (what Alfred North Whitehead has called the Bifurcation) between appearances and reality, subjectivity and objectivity, history and immutability. (…) But no doubt that it is a fabulously useful ploy, invented in the seventeenth century, to establish a political epistemology and to decide who will be allowed to talk about what, and which types of beings will remain silent. This was the time of the great political, religious, legal, and epistemological invention of matters of fact, embedded in a res extensa devoid of any meaning, except that of being the ultimate reality, made of fully silent entities that were yet able, through the mysterious intervention of Science (capital S) to speak by themselves (but without the mediation of science, small s, and scientistsalso small s!).

(…) This is why rationalists never detect the contradiction between what they say about the continuity of causes and consequences and what they witnessnamely the discontinuity, invention, supplementarity, creativity (creativity is the ultimate as Whitehead said) between associations of mediators. They simply transform this discrepancy (which would make their worldview untenable) into a radical divide between human subjects and nonhuman objects. (…) Compositionists, however, cannot rely on such a solution. The continuity of all agents in space and time is not given to them as it was to naturalists: they have to compose it, slowly and progressively. And, moreover, to compose it from discontinuous pieces. Not only because human destiny (microcosm) and nonhuman destiny (macrocosm) are now entangled for everyone to see (contrary to the strange dream of Bifurcation), but for a much deeper reason on which the capture of the creativity of all agencies depends: consequences overwhelm their causes, and this overflow has to be respected everywhere, in every domain, in every discipline, and for every type of entity. It is no longer possible to build the cage of natureand indeed it has never been possible to live in this cage. This is, after all, what is meant by the eikos of ecology.”

Para finalizar, acabo de ver a matria do NYT com o sugestivo ttulo, “Cellphones Become the Worlds Eyes and Ears on Protests”, onde podemos ler:

For some of the protesters facing Bahrains heavily armed security forces in and around Pearl Square in Manama, the most powerful weapon against shotguns and tear gas has been the tiny camera inside their cellphones. () A novelty less than a decade ago, the cellphone camera has become a vital tool to document the government response to the unrest that has spread through the Middle East and North Africa. (..) Recognizing the power of such documentation, human rights groups have published guides and provided training on how to use cellphone cameras effectively.

Para maior aprofundamento:

Latour, B. Reassambling the social. An Introduction to Actor-Network Theory., Oxford, Oxford University Press, 2005.

Latour, B., An attempt at writing a Compositionist Manifesto., in http://www.bruno-latour.fr/articles/article/120-COMPO-MANIFESTO.pdf

Latour, B., Jamais fomos modernos: ensaio de antropologia simtrica. Rio de Janeiro: ed. 34., 1994.

Harman, G., The Prince of Networks. Bruno Latour and Metaphysics. 2009.

Whitehead, A., Process and Reality., NY, Free Press, 1978.

3 Replies to “Things (and People) Are The Tools Of Revolution!”

  1. Comentrio de Lia Seixas (@liaseixas). Obrigado Lia.

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    Fiquei positivamente instigada com o seu generoso trabalho de anlise aqui no blog. Vou fazer um comentrio pra pensar… De qualquer maneira, no ser nada a partir da filosofia da tcnica ou da sociologia (onde tenho que comer muito arroz com feijo), mas da midiologia e um pouco dos estudos do jornalismo.

    Fui pega pelo efeito da frase do jornalista da ABC News (Twitter uma ferramenta, a web uma mdia e jornalismo uma ao). Embora a gerente de internacionalizao (http://www.elmundo.es/elmundo/2011/02/26/navegante/1298718512.html) tenha dito ao elmundo.es que considera o twitter uma rede de informao aberta e uma ferramenta (tenha se contradito da 1 para a 2 resposta), eu creio que o twitter, como diz @raquelrecuero, , por seus valores intrnsecos, uma rede social mais do que tudo.

    De outro ngulo:

    A palavra ao na fala do Dan Patterson no conteria um problema parecido com a noo de actantes em Bruno Latour (lido apenas por textos na net)? Concordo quando vc diz que apenas qualificar jornalismo como ao no diz nada sobre o jornalismo. Assim tambm acontece com actantes, por mais que isso procure mostrar a complexidade da relao entre objetos tcnicos e tecnologia como fez o Gilbert Simondon (que conheci na sua disciplina e agradeo). No seria tambm necessrio qualificar a ao dos actantes, agentes no-humanos?

    Qualificar a ao jornalstica qualificar os fazeres e os saberes (reconhecimento, procedimento, redao; Ericson, Baranek e Chan). Os estudos de jornalismo precisam desenvolver essas noes para a gente compreender melhor as aes ou, como eu tenho trabalhado, os compromissos lingusticos (das aes discursivas) do fazer-jornalstico. E assim compreender o fazer-jornalstico por sites noticiosos, blog, microblogs.

    Tambm concordo com vc. No sei se devemos considerar a web, a rede mundial, como mdia. Na constituio de um medium, alm do protocolo, tem a fundamental representao numrica (0 e 1) e ainda: a operao de conhecimento, os sistemas semiolgicos, sistemas de transmisso e estocagem, interao (interatividade), redes tcnicas, influncia nas tcnicas (redao, ex.) e relao tempo-espao (DEBRAY, 1991).

    Neste exerccio, tentei uma comparao entre blog e microblog. Embora o microblog tenha surgido do blog (Express yourself, O que voc est fazendo? e a publicao cronolgica inversa), de fato so sistemas operacionais muito diferentes (plataformas? ferramentas? diferentes..). As mais importantes diferenas, creio, so: a possibilidade rpida, o relevo nas aes de retweet e de replay que acontecem numa relao espao-tempo mais prxima da sincrnica, instantnea, simultnea com at 140 caracteres (espao limitado) e uma possibilidade de leitura de at 100 tweets no tweetdeck (sistema de estocagem limitado pelo tempo). A interao sobe ao seu nvel mximo e, como apontou Raquel Recuero, agregaram-se valores s conexes. O espao limitado pelos caracteres se adequa bem aos dispositivos mveis (teclados e cmeras), o que sincroniza bem com a mobilidade. Enfim, mas creio que os regimes da mdia digital so os mesmos para o blog e para o twitter. No sei se poderamos dizer que uma mudana forte num regime, como neste caso na interatividade, mudaria a ponto de termos outro medium, pois os hbitos no twitter so muito diversos do blog.

    Ai, desculpa, me estendi demais…vontade de discutir um assunto que estou estudando.

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