A Comunicação das Coisas

Meu livro, A comunicação das Coisas, Teoria Ator-Rede e Cibercultura, finalista do Jabuti 2014, e esgotado desde a primeira edição, está de novo disponível.
O livro pode ser encomendado pelo site da Annablume , diretamente na Companhia dos Livros (a rede de livrarias da Bookpartners com um eficiente site de vendas)  ou nas centenas de livrarias atendidas pela Empório do Livro.

Mobilidade Urbana no Brasil

 

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Para quem está no Rio (infelizmente não poderei comparecer) tem o lançamento do livro Mobilidade Urbana no Brasil. Colabora com o capítulo “Cidades smart, cidades vigiadas”. O livro é organizado por Marilene de Paula e BARTELT, Dawid D. Bartelt e foi publicado pela Fundação Heinrich Böll. Uma versão digital estará disponível no site no futuro.

Lançamento com debate – Mobilidade Urbana no Brasil: Desafios e Alternativas
Quando:
 24/11 – quinta-feira, 14h

Onde: Nex Coworking.Rua Ladeira da Glória, 26, Glória. Rio de Janeiro.

Abertura – Dawid Bartelt – Fundação Heinrich Böll Brasil
Debatedores:
Bárbara Lopes – Arrua Coletivo
Clarisse Linke – ITDP Brasil
José Julio Lima – Universidade Federal do Pará – UFPA – Oficial
Moderação: Henrique Silveira – Casa Fluminense

 

Livro “Teoria Ator-rede e estudos de comunicação”

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Teoria ator-rede e estudos de comunicação, organizado por André Lemos,

O livro busca, principalmente, apresentar a Teoria Ator-Rede (TAR): uma corrente teórica ainda pouco explorada e conhecida na área de comunicação no Brasil, que leva em consideração processos de associação em rede através de mediações entre atores humanos e não humanos. Além disso, a obra é resultado de um experimento acadêmico envolvendo a aplicação da TAR aos estudos de comunicação, o que gerou a produção de textos que tratam de diversos aspectos da cultura e da comunicação contemporânea, tais como a fotografia, o cinema, as séries televisivas, os jornais, os movimentos políticos e as redes sociais.

Lançamento dia 27/10 às 17h na Reitoria da UFBA

Ciberpolítica

ciberpolítica-jamil-marquesMais um livro da coleção Cibercultura, parceria da Edufba com o Lab404 é lançado: “Ciberpolítica – Conceitos e Experiências”, de Francisco Paulo Jamil Marques.

O objetivo do livro é apresentar, de forma introdutória, alguns dos conceitos e casos mais relevantes de uso político da comunicação digital.

Acesse o livro de graça na seção Ebook no site do Lab 404 ou o Repositório Institucional da UFBA.

Epistemologia da Comunicação

 

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Assino um dos capítulos (Da Engenharia à Comunicação. Traduções e Mediações para compreender a Técnica e a Comunicação na Cultura Contemporânea) do livro Epistemologia da Comunicação no Brasil: Trajetórias Autoreflexivas. Este e mais dois outros (Comunicação, Cultura e Mídias Sociais, Comunicação e Cultura e Mídias Sociais, Anais do XIV Congresso Ibercom 2015) lançados como resultado do  XIV Congresso Internacional Ibercom 2015 podem ser baixados aqui.

O Último Livro do Mundo

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Ontem enviei o meu mais novo livro para a editora (deve sair em outubro) e, no mesmo momento, recebo em casa, para a minha surpresa, um envelope com dois exemplares d'”O último livro do Mundo”, com a bela edição do SESC São Carlos, pela coleção “Ler ciência”. A ideia da história original é minha, o texto de Manu Maltez e as ilustrações de Guto Lacaz. O livro anterior, “Quando a onça bebe água”, tem textos de Eduardo Viveiros de Castro e Verônica Stigger e desenhos de Fernando Vilela. A coleção tem por objetivo produzir livros que expliquem a ciência para crianças de 6 a 10 anos. Ele será distribuído gratuitamente para as escolas públicas. No final da história, é proposto um caderno de atividades para os alunos. Devo participar de mesas-redondas com professores e alunos para discutir o livro. Gostei muito de pensar e escrever para projeto e fiquei muito feliz com o resultado. Obrigado Chico Galvão pelo convite e parabéns pelo belo trabalho realizado.

O que McLuhan não previu

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Uma excelente notícia de fim de ano. O livro “Lo que Mcluhan no previó”, coordenado pelo Eduardo Vizer, na Colección Norte Sur de la Asociación Argentina de Estudios Canadienses, acaba de ser publicado pelo Editorial La Crujía de Buenos Aires. Participo com um capítulo. Abaixo o indice da obra. Espero a minha copia ansiosamente. Uma honra estar na companhia de colegas tão alto nível intelectual.

Feliz Natal e um excelente 2013 para todos.

INDICE
An epistemological issue.
Derrick de Kerchove

McLuhan, indispensable y complejo
Octavio Islas

La Actualidad deMcLuhan para Pensar la Comunicación Digital
Cosette Castro

Sujetos híbridos e historia no-lineal La continuidad de los media por otros medios
Luis Baggiolini

Things (and People) Are The Tools Of Revolution! Ou Como a Teoria Ator Rede resolve a purificação Mcluhaniana do “meio como extensão do homem”.
André Lemos

Habitar. Revisitando el medio mcluhaniano.
Sergio Roncallo

O fim do meio na mensagem ubíqua
Eduardo C. Pellanda

O Twitter como medium-ambiência mcluhiano: o processo de apropriação dos interagentes na mídia social digital.
Eugenia M. R. Barichello & Luciana M. Carvalho

Marshall McLuhan en el nuevo milenio. Notas para el abordaje de la relación entre cultura, tecnología y comunicación.
Ricardo Diviani

Tecnologías y cine digital. Repensando a Mc Luhan en el siglo XXI.
Susana Sel

Marshall McLuhan: Comentarios para una epistemología de la tecnología
Sandra Valdettaro

A rede é a mensagem: Efeitos da Difusão de Informações nos Sites de Rede Social
Raquel Recuero

Aproximaciones sobre la cultura libre y el acceso al conocimiento en la era digital
Silvia L. Martínez

Digital Emancipation and Local Development in Brazil
Gilson Schwartz

McLuhan never foresaw the existence of social networks
BernardDagenais

La caja de Pandora: tendencias y paradojas de las Tic
Eduardo A. Vizer & Helenice Carvalho

FLICA 2011 – Livro e Mídia Digital

No fim de semana participei da Festa Literária do Recôncavo em Cachoeira, Bahia. O evento foi bem interessante e acho que a escolha da cidade foi muito feliz. Fiz a curadoria da mesa “O Fetiche do livro em papel e o meio digital” que contou com as ilustres presenças de Bob Stein e Fábio Fernades. Há um interessante resumo das discussões aqui.

Deixo abaixo, como registro, os meus pontos de destaque, que de forma nenhuma resumem a rica discussão que se travou na mesa, nem expressa concordância dos meus colegas:

1. O livro é um dispositivo sempre em transformação. O livro é desde sempre uma mídia móvel. Ler e escrever é o que importa no fundo. Dispositivo eletrônico é “BIBLIO” (ver Derrida, “Papel Máquina”), um espaço/lugar de armazenamento de informação, de livros e que é também o próprio livro.

2. O leitor é editor e distribuidor. Nova forma de leitura onde a ação de edição e compartilhamento pode ser feita pelo leitor. Cresce formas e instrumentos de uma cultura letrada que se faz por uma leitura sociabilizada. O leitor é também “tipógrafo” (“Desafios da Escrita” de R. Chartier) que pode mexer nas fontes e alterar as localizações das informações. Só há textos e leitores móveis.

3. A fixação da página não é original. A literatura digital coloca em questão a noção de página (dos impressos) e pode se libertar da amarra de um suposto original fixo, mais valorizado do que seria a “cópia” eletrônica. Não será isso, no fundo, o que está pairando na discussão sobre os livros em papel e os digitais e na resistência em relação a esses últimos? Não seria mesmo a nostalgia do papel que seria o original que fixa para sempre a informação em suas páginas? Toda produção (não só da obra de arte) deve ser vista como “trajetória”, o original como a “origem” e a cópia, como aquilo que advém do que é “copioso”, farto (Latour). A edição em papel é sempre uma cópia. Assim como o é a edição eletrônica. No caso do impresso, a localização pelo número da página (essa ilusão de fixação) é sempre provisória pois das duas uma: ou a obra continuará (e será reproduzida, desarrumando as informações, mudando as páginas), ou será esquecida, ficará sem linhagem e trajetória, e desaparecerá. Aprendemos a pensar na fixação da página impressa como “confiável” e “original”, de onde emana a “aura”, e a pensar na reprodução (qualquer uma, mas a digital mais recentemente) como inferior, como denegrindo a imagem do original, como a destruição dessa aura pela reprodutibilidade (a opção Benjamin). Seria mais interessante falar de uma localização fluida e que depende do leitor (aquele que lê e o dispositivo utilizado) do que forçar os leitores a se fixarem na estrutura das páginas de uma edição impressa (também fluida de fato, mas com aparência de estática).

4. O Livro é objeto sensual. Sempre que uma mídia desenvolve uma relação sensual (corporal), o abandono do dispositivo será penível e difícil. Vejam o cinema. O DVD não substitui o cinema pois a relação com o “espaço” cinema é sensual, impossível de ser substituída pela sala da casa. O mesmo acontece com o livro. Nossa relação com o códex é sensual: manuseio das páginas, peso, cheiro do papel, exibição nas estantes…O mesmo não acontece com a música. Não temos a nostalgia da fita cassete e, tirando alguns puristas, ninguém fica triste em substituir o vinil pelo CD. Ouvir música é uma experiência que pressupõe um tempo e um lugar específicos, mas não uma relação sensual com a mídia. Acho que o livro em papel nunca será substituído justamente pelo caráter sensual de sua materialidade. Acho que ele será cada vez mais um objeto especial, feito em papel para momentos especiais.

5. As livrarias vão mudar e já estão mudando. Primeiro elas eram lugares de sociabilidade de leitura, de informação e de discussão com livreiros e vendedores que, ou eram editores, ou escritores ou, na sua maioria, leitores vorazes. Hoje estamos na era das megastores que sobrevivem pelo estilo supermercado-café-da-moda. Acho que, no futuro, como os livros que são em papel apenas por ser o meio convencional de veicular uma história estão em vias de se tornarem minoritários (os livros para os quais o papel seria o suporte especial continuaram a serem produzidos – fotografia, arte etc.), essas livrarias serão cada vez mais lojas de eletrônicos e, talvez, as pequenas livrarias voltarão à cena para acolher aqueles que querem as edições antigas em papel, encontrar leitores, editores e escritores etc. O futuro mais uma vez se aproximará do passado?

6. O sucesso do livro eletrônico está na materialidade do dispositivo e na emulação do passado. O novo é o velho! As análises sobre as novas mídias centraram-se nas diferenças, na morte dos antigos formatos e na superação da experiência analógica com o surgimento do digital e das redes telemáticas. O que estamos vendo é um retorno a experiências anteriores, com o aproveitamento das inovações sociais e tecnológicas do digital, principalmente no que se refere às possibilidades de produção de conteúdo, de compartilhamento de informação e de criação de redes sociais. Os e-readers emulam, com a e-ink, muito bem o papel e a tinta. Alguns não tem iluminação interna e tornam-se muito confortáveis para a leitura. O que está em jogo aqui é usar a tecnologia digital e as redes sem fio para proporcionar portabilidade da biblioteca e uma leitura próxima da do livro impresso (sem firulas, links desnecessários, ou interatividade exagerada). O leitor nem sempre quer ser “interator”. Ele quer ler como se lê um livro em papel. A relação material é importante aqui: ler um produto acabado em uma postura corporal similar àquela da leitura dos livros jornais e revistas impressas. Não estou dizendo que os antigos formatos desaparecerão (isso pode até acontecer), nem que seja a mesma coisa (não é, já que posso criar redes sociais, compartilhar informações de leitura – nos ereaders e tablets pode-se twitar trechos do que se lê, algo impossível com a leitura do impresso etc.). Sustento que agora (a digitalização da escrita e dos livros começa nos anos 1980-90) os e-books estão tendo um grande sucesso (a Amazon vende mais e-book que livros impresso, e a venda de e-readers e tablets é muito grande hoje) por emularem as materialidades das mídias analógicas. Afinal, não é por acaso séculos de sucesso desses formatos midiáticos.

7. As principais mudanças são 3: dispositivo, leitura e escrita: Na materialidade do dispositivo livro, na forma de leitura, que sempre é uma apropriação e invenção de sentidos, e nas novas possibilidades de escrita, nos novos formatos e estilos que surgem com os hipertextos, os blogs, o twitter etc. Há novos escritores e leitores que ainda não são reconhecidos como tais. O fetiche do papel migra para o fetiche do dispositivo. Mas de uma forma ou de outra, o importante é que se está ampliando as formas de leitura e de escrita. Agora, leitores e escritores tornam-se figuras maleáveis, mais híbridas, que navegam pela experiência do impresso e por suas amplas possibilidades semânticas, que passam a escrever em meio digital e ler de outra maneira, podendo, de forma mais ampla e mundial, alterar a edição e criar redes de sociabilidade na leitura. As experiências parecem ir para o futuro, mas o que vemos é, na realidade, rearranjos do passado no presente, inovações do presente emulando o passado. O futuro está mesmo aberto.

Comunicação e Mobilidade

Resenha do Hugo Pardo no Digitalismo.com sobre o livro Comunicação e Mobilidade, disponível free aqui:

Alysson Lisboa Neves, nuestro alumno del Máster de Comunicación Digital Interactiva de la UVic,  me ha facilitado un interesante libro de descarga gratuita y aquí va una obligada reseña. Se trata de: Lemos, AndréJosgrilberg, Fabio (2009). Comunicação e mobilidade. Aspectos socioculturais das tecnologias móveis de comunicação no Brasil. EDUFBA, Salvador, Brasil

André Lemos dirige el Grupo de Pesquisa em Cibercidade y el Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura Contemporâneas de la Universidade Federal da Bahia y es uno de los investigadores más respetados en Brasil (hoy por lejos, el mejor entorno de investigación de América Latina) en el campo de la mobile communicationy cada uno de los trabajos que realiza, dirige o edita son un producto imprescindible. El grupo de investigadores y doctorandos de dicho postgrado es un lujo y el nivel de conversaciones/producciones que allí se realizan está entre las mejores que conozco en Iberoamérica en dicho campo de conocimiento. Estuve allí en agosto de 2008 (Carlos Scolari en 2007) y nos llevamos la mejor impresión de su trabajo.
El libro aborda la relacion de la mobile communication con el cuerpo, el arte, las ciudades, la vigilancia, el periodismo y la inclusion digital. Se trata de una version en portugués de textos publicados en el Wi-Journal of Mobile Media (agosto 2009). Sus autores son algunos de los principales expertos que trabajan en Brasil: Eduardo Campos PellandaFernanda BrunoFernando Firminho da SilvaGilson SchwartzLucas BambozziLucia Santaella ySérgio Amadeu da Silveira. Vale focalizar en algunas observaciones que se hacen en el libro. A pesar del enorme mercado interno, Brasil tiene uno de los servicios más caros del mundo, ocupando la posición 114 en el ranking mundial de tarifas de telefonía móvil entre 150 países. 140 millones de moviles activos, pero el 81% en planes prepagos y sin conectividad a la red. Esto ralentiza el crecimiento de la Mobile Web 2.0, pero significa un mercado muy relevante a nivel mundial en consumo estándar. Pioneros en recogida de impuestos por la red, más de 190 millones de habitantes y un vasto territorio que amplifica la necesidad de conexión inalámbrica. El trabajo relata experiencias interesantes como: 1) el uso de Internet en ciudades, provistas por los gobiernos locales (Sud Mennucci, en São Paulo, por ejemplo), bajo el planteo de que una red pública gubernamental puede inhibir el desarrollo local empresarial, debido a la falta de especialistas de telecomunicaciones en ámbitos municipales y a la menor velocidad en las innovaciones; 2) el arte e mídia locativa en Brasil, bajo la idea de que los nuevos medios producen nuevas espacialidades, asi como nuevas formas de vigilancia y control; 3) un buen mapa de aplicaciones y proyectos en la frontera entre el arte y las redes sociales. Excelente lectura.
Sobre el mismo tema, el último número de la revista Pensar la Publicidad: Revista Internacional de Investigaciones Publicitarias, (vol 3, nro 1, 2010) de la Universidad Complutense de Madrid nos ha publicado la investigación sobreMarketing móvil en Cataluña: mapa de actores, contenidos y tendencias que hemos realizado con Carlos Scolari, Héctor Navarro, Irene García y Jaume Soriano. Por último, venimos de unos días muy agitados y productivos de pitchs relacionados con CampusMovil.net, nuestra plataforma mobile. Ver reseña en el blog corporativo.

Nota: Para comprender el éxito macroeconómico de Brasil, recomiendo el nuevo La Vanguardia DossierBrasil Emerge, número 36, disponible desde julio. “

Dia Mundial do Livro



Alice no País das Maravilhas
Livro maravilhoso que estréia hoje no Brasil em versão cinematográfica pelas mãos talentosas de Tim Burton

Hoje é o dia mundial do livro. Ou seja, dia de leitura, razão de existência dos livros, no passado, no presente e no futuro, seja em Kindles, iPads ou celulares. Para comemorar, reproduzo uma entrevista minha com Thamyres Dias do Globo Online (não sei se já foi publicado ou se não será nunca…). Depois, reproduzo posts meus no Twitter sobre a leitura e impressão do hilário “Twitterature”, citado também na entrevista.

Entrevista

– Com a difusão da Internet e suas redes sociais – principalmente o Twitter – a literatura ganhou maior espaço na rede, assumindo também novas formas, como os microcontos, por exemplo, ou a poesia interativa. Como você analisa esses novos formatos? É possível obter uma produção de qualidade em textos cada vez menores?

Estamos ainda no início da experimentação de novos formatos literários na rede. Mas experiências em blogs como novelas ou diários, e os microcontos e poemas no twitter, entre outras formas, têm ganhado espaço com a rede. Acredito que é possível sim uma literatura de qualidade. O mais interessante é a abertura do processo de emissão e a possibilidade de não vermos represadas competências por causa da incapacidade das editoras. O processo também é diferente onde produção e publicação são simultâneas.

– Em alguns casos, a construção desses textos se dá de forma colaborativa. Em outros meios, como no jornalismo, a participação do leitor se apresenta como uma tendência para o presente e o futuro. Na sua opinião, essa é também uma tendência na literatura? A participação pode extrapolar o virtual e também fazer parte dos livros impressos?

Acho que esse não é o aspecto mais importante. A participação é interessante em alguns momentos, mas o que faz uma boa literatura não é a participação do leitor como autor, mas engajá-lo nessa condição mesma, a de leitor. Fazer isso é a maior vitória da literatura. Não acho que essa seja uma tendência. Essa é uma oportunidade dada pelos novos meios e a rede, mas não a tendência. Acho que a tendência é a produção aberta e a circulação cada vez maior da palavra escrita (ou seja, da leitura). Sim, acho que pode-se passar do eletrônico ao papel e vice-versa. Talvez o mais interessante seja mesmo a coexistência dos diversos formatos do escrito.

– A produção literária na Internet pode substituir a leitura em papel?

Pode, mas acho que ainda estamos bem longe disso. Fiz um post no meu blog sobre esse tema – http://andrelemos.info/2010/02/end-books/ . Agora, com leitores de e-books mais confortáveis essa questão se coloca mesmo. Devemos pensar e apreender com a história que mesmo a noção de livro evoluiu muito até o Codex cristão. Podemos pensar no e-book efetivamente como livro e abolirmos o papel. Talvez isso seja uma libertação. Talvez não. Publico em papel e acabo de publicar meu primeiro livro em formato de e-book pela editora Plus de Porto Alegre (Caderno de Viagem. Comunicação, Lugares e Tecnologias, disponiovel gratuitamente em http://editoraplus.org). Veremos em um futuro próximo.

– O que você acha de adaptações de grandes obras da literatura para o Twitter?

Acabei de comprar e ler o livro Twitterature de Aciman e Rensin, pela Penguin Books que pretende resumir em alguns twits grandes obras da literatura mundial. Não gosto do argumento (que a literatura clássica é do século passado) ou da idéia de que seja possível reduzir grandes obras a poucas frases, com a interpretação das obras pelos autores. Acho, no entanto, que é um livro de humor. Ri bastante lendo trechos do livro com intepretações engraçadas dos autores. Não deve ser levado a sério e os livros clássicos devem ser lidos, na íntegra, com suas temporalidades próprias.

– Tem acompanhado outros projetos de literatura na rede? Algum que gostaria de destacar?

Acompanho no Twitter o @Z_ER_O_O, o @semruido, e o @arjunbasu. São experiências diferentes.

– Sobre os projetos @re_vira_volta e @re_viravolta, como surgiu a ideia? Existe abertura para que outros usuários ajudem a escrever a história?

Tinha uma novela escrita a algum tempo, sem conseguir terminá-la. Pensei então em transferi-la para o twitter e experimentar, toda semana, a escrita de frases em 140 caracteres para contar a história. Escrevo a partir da idéia original, mas cada semana a escrita e sua produção (publicação no twitter) são simultâneas e vão tomando rumos próprios. Isso muda o estilo da narrativa e a própria história com a tinha pensado anteriormente. Há links entre os dois twitter que vão remetendo um ao outro no andamento da história (há sons e imagens também). Mas trata-se de uma única história. Escrevo toda semana, sempre nos fins de samana, desde 27 de junho de 2009. Não tenho ainda previsão de quando vou encerrar a história. Reviravolta conta a história de um personagem que se vê às voltas com o seu desaparecimento dos sistemas de informação, questionando assim a sua própria existência. É um exercício de estilo, uma diversão e uma forma de experimentar esse novo formato. Acho que é a primeira experiência desse gênero no Brasil (não é microconto, não é poesia, é novela, em capítulos semanais).

– Você observa uma mudança na forma de ler das pessoas? Essas novidades da rede refletem os desejos desse “novo público”?

Acho que sim, pois o suporte muda. Mudando o suporte, muda a forma de leitura e abre oportunidades para novos públicos. Mas o mais importante é que podemos produzir informação sem ter que nos preocupar muito com isso. O que interessa aqui é a possibilidade de emissão e de exercício da criatividade.

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Lendo agora, para me divertir, o hilário livro “twitterature” q pretende resumir em até 20 tweets clássicos da literatura mundial. funny!

Do twitterature, um tweet do “resumo” da Odisséia de Homero: ” Calypso wanted to marry me. Bitch. Who does she think I am? I have a wife..”

Ou ainda Alice no pais…: like many book characters, I’m pretty bored. Oh! A white rabbit! Just like in The Matrix. That movie was dope..

Ou o último tweet para o fim do Hobbit: “oh shit a huge battle! if only this had happened earlier I wouldn’t have been so fucking bored!”

Ou seja, assim como os clássicos, leitura indispensável – diversão garantida. Twitterature de Aciman e Rensin, Penguin, 2009.

Feliz dia mundial do livro!!!