Para quem gosta de música eletrônica, o lançamento mundial da dupla francesa Daft Punk está chagando ao Brasil. Segundo a assessoria da gravadora EMI/Virgin no Brasil, “o lançamento nacional de ‘Discovery’ ainda não tem data definida devido a um atraso na chegada dos cartões que acompanham o CD”. Cada cópia do disco traz um cartão com identificação que dá acesso a áreas restritas do site oficial da banda (www.daftpunk.com), onde os fãs podem encontrar faixas inéditas.

” Mais vale esperar o acaso de um encontro, sobretudo sem ter o ar de esperar também. Pois é assim, dizem, que nascem as grandes invenções…” (Jean Echenoz, “Vou embora”, p. 45).

Passou um bom tempo do seu dia pensando no graffiti. Achava que deveria realmente entrar em um outro momento. Sua vida não era mais sua e disso ele não gostava nem um pouco. Durante toda a sua tranquila existência teve, ao menos é essa a impressão, o controle total, vivendo com um panopticum interior que monitorova todas as suas ações e pensamentos. Os pequenos deslizes, logo que fossem percebidos enquanto tais, eram corrigidos com severidade por ele mesmo. Não era questão de criação, de pais repressores ou coisa parecida. Ele era assim mesmo, controlador de seus impulsos, senhor do seu destino, mestre do seu dia a dia.
Mas agora tudo era diferente…sua vida nao era mais sua, tinha perdido o fio da meada e buscava agora soluções diferenciadas. Mas achar soluções diferenciadas nao era o seu forte…nunca exercera isso e nao era agora, de uma hora pra outra, que ele iria conseguir pular.

A chuva continua fina e o frio aumenta gradativamente ao passar das horas. Ele não consegue se mover diante do graffiti, e mesmo chovendo, continua se sentindo totalmente seco, inabalável e agora imóvel. Pensa na possibilidade metafórica do pulo e começa, pouco a pouco, a acha-la interessante..”não pare, pule!”…simples, prático e radical. O seu problema agora é: como parar e pular?; e para onde? Paralizado escuta vozes internas que lhe dizem aforismos incompreensíveis, misturadas com burburinhos de alguns passantes na chuva…

…Belleville estava particularmente efervescente nesse dia. Andou, esquivando-se dos passantes: negros vestidos como se estivessem em suas terras natais, árabes que se saudavam na passagem, orientais de todas as origens correndo nas tarefas quotidianas. Se o mundo não é Belleville, Belleville contém um mundo…A chuva continuava insistente, fazendo com que ele não se esquecesse de seu corpo…os pingos da chuva não o tocavam, ou assim parecia. Ao chegar ao Père Lachaise, defronta-se com as paredes imponentes de seus muros, passa o portal e é abordado por alguém que queria vender, por 10 francos, um mapa, mostrando a rotas dos túmulos mais famosos: Jim Morrison, Isadora Duncan, Chopin, Alain Kardec…Não havia interesse específico. Não queria ver tumbas ou fazer turismo mórbido, apenas se perder nas ruas do famoso cemitério, onde o silêncio ajuda a pensar e os corpos, agora degradados, não incomodam mais. Sua vida estava na normalidade absoluta, o que o deixava muito, muito conformado e estressado ao mesmo tempo. Aliás a conformidade é essa espécie de morte diária, de fim de expectativas, de neutralidade absoluta. Nunca fora muito nômade em si mesmo e, agora, devido a nova situação, teria que inventar a si mesmo; o que não era uma prática diária. Buscava uma saída, mas nada era evidente já que sempre procurou, o mais insistentemente possível, permanecer na tranquilidade inerte do dia a dia. Parou diante de um graffiti nos muros que dizia “não pare, pule!”. Era isso que precisava, pular…

Aforismo do dia:
“Para quem você respira?”

E nesse dia chuvoso ele sai de casa, não antes de tomar o seu café com leite e croissant para encarnar a alma depois de oito horas de um sono bizarro, repleto de sonhos incompreensíveis. Desce os andares do prédio e se encaminha para o metrô mais próximo, na Rue d´Avron. Pega o primeiro trem e desce algumas estações depois em Belleville. Ele sempre amou a mistura de culturas e a profusão de corpos estranhos desse bairro. Acordou hoje com vontade de cruzar Belleville a pé, flanar pelo bairro e se encaminhar de forma tortuosa ao cemitério Père Lachaise. Sem pressa podemos ver os detalhes do mundo, pensa, perdido em meio a gotas de chuvas que pareciam não atingi-lo. Nada esconde esse seu desejo mórbido de ver mortos. Parece que é para confirmar que estava vivo, se é que essa confirmação possa se dar de alguma forma definitiva…

Notícia do underground: MANCHETES – Terça-feira, 6 de Março de 2001

Hackers roubam 98 mil números de cartões de crédito

No período de outubro do ano passado a fevereiro de 2001,
os piratas de computadores tiveram acesso às informações
dos usuários cadastrados na Bibliofind.com, subsidiária da
Amazon.com.

Veja aqui

Arte Eletrônica. O Museu de Arte Moderna de São Francisco está com a exposição 010101. Veja o site aqui. Segundo o diretor do museu, David Ross, o evento é sobre tecnologia e seu impacto em nosso dia-a-dia.

Um pais no fim do mundo, gelado e totalmente conectado…a terra da Bjork. Saiu no www.europemedia.net:
According to Icelandic State Statistics, 79.5 per cent of all Icelanders had access to the internet by January 1999. Such a figure is beyond most other countries’ wildest dreams. In 1998 39.4 per cent of Icelanders were using the internet, and almost 60 per cent of them from home. By contrast, in 1998 only 22 per cent of the Danish homes were connected to the internet. And of course almost everyone has a mobile phone in Iceland.

Ferias é tempo de flânerie, ainda mais se ficamos na mesma cidade. Legal poder flânar pela sua própria cidade. Normalmente fazemos isso quando estamos em outras localidades…mas não na nossa…não temos tempo e, como dizem os franceses, ficamos sempre no metro, boulot, dodo (metro, trabalho e cama). Hoje experimentei a flânerie pelos espaços da cidade…e descobri o que ja sabiamos sem saber: na flânerie eu me aposso um pouco das ruas, pessoas, lojas e monumentos…torno o meu trajeto um escrita particular…

Volto pra casa e ouço Yo la Tengo…No caminho de casa leio Cortázar que diz: “quando abrir a porta e assomar à escada, saberei que lá embaixo começa a rua; não a norma já aceita, não as casas já conhecidas, não o hotel em frente; a rua, a floresta viva onde cada instante pode jogar-se em cima de mim como uma magnólia, onde os rostos vão nascer quando eu os olhar, quando avançar mais um pouco…” (História de cronópios e de famas, p.4).

A rua, a alma encantadora das ruas (João do Rio).