Sobre Carros e Cyborgs

Notícias sobre os 50 anos do termo cyborg e sobre um carro que dirige sozinho nos permitem pensamentos sobre o híbrido e colocar em perspectiva o termo cyborg, por um lado, e questionar o conceito de “pós-humano”, por outro. Vou situar essa discussão a partir da ótica da sociologia das associações presente na Teoria Ator-Rede (Actor-Network Theory, ANT).

Cyborgs e carros autônomos expressam um mesmo fenômeno: o híbrido humano e não humano, e por isso causam, a primeira vista, estranhamento. Esse estranhamento parte de um primeiro erro crucial da discussão sobre tecnologia: a separação sujeito – objeto, partindo do princípio que nossa subjetividade se forma para além da relação com os objetos e as coisas lá fora. Da mesma forma, pensamos que não podemos delegar às máquinas, o mundo das coisas, a ação sobre os humanos, o mundo social. Esse erro parte de um privilégio do humano como a subjetividade que se impõe ao mundo dos objetos, separadamente. Cyborgs podem ser considerados pessoas? Um carro que dirige sozinho pode receber legalmente essa delegação? Para pensar o cyborg, utilizarei aqui a teoria ator-rede.

Teoria Ator-Rede

A Teoria Ator-Rede (Actor-Network Theory – ANT), estabelecida por Bruno Latour, Michel Callon e John Law nos anos 1990 para o estudo da ciência e tecnologia (S&T Studies), pode ser de grande interesse para a compreensão dos diversos fenômenos agrupados sobre o rótulo de cibercultura. ANT busca ser uma ciência do social a partir de um olhar sobre as associações, evitando explicá-las por grande sistemas generalistas e/ou globais. Reivindicando uma “sociologia das associações”, ao invés de uma “sociologia do social”, essa teoria tem como pressuposto “filosófico-empírico” (que é de grande valia para a análise da sociedade e a cultura da informação) o entendimento de que as ações sociais são geradas por uma miríade de mediadores e intermediários, formando redes. Tanto os agentes humanos, como não humanos (objetos, instituições, leis, mídias, etc.) atuam sem hierarquias previamente determinadas. Nesse sentido, ANT descreve e analisa o social a partir das “falas” dos “actantes” (mediadores) sem que esses sejam obrigados a “dançarem” conforme uma música (às vezes bastante confortável, travestida de visão “crítica” ou “política”) previamente definida, podendo ser encaixada em todos os objetos. Se é assim, não há o que estudar e o social, enquanto associação, desaparece.

Para os estudos de cibercultura (“cyberculture studies”), a ANT pode ajudar a revelar os traços das associações em fenômenos tão dispares quanto a sociabilidade online, a vigilância, as mídias locativas, o corpo e a subjetividade, as interfaces e interações, a arte, o ativismo, o governo eletrônico, os games, a inclusão digital… Por ser um campo privilegiado de análise da relação de mediadores humanos e não humanos, e por suas ações deixarem traços (digitais, materiais) cada vez mais visíveis, a cibercultura é um lugar importante de observação das associações, conexões e traços que fazem, e só assim, o social hoje. Vejamos como podemos aplicá-la na questão do cyborg.

Híbridos desde sempre ou sempre fomos cyborgs


Imagem no 50 posts about Cyborg

Pensar as ações sociais é revelar as associações entre actantes humanos e não humanos formando redes nesses momentos, que se desfazem mais adiante para se reconstruírem (ou não) mais a frente. Podemos dizer então que ver as “associações” que criam o social é sempre prestar atenção nas diversas conexões entre “cyborgs” (definido aqui como híbridos humano-não humanos) que se formam em uma determinada ação. Por exemplo, escrever esse texto deve levar em conta aquele que escreve, mas também os dispositivos técnicos, o enquadramento institucional, a relação com os grupos de pesquisa, alunos, pesquisadores, os pares, órgãos de financiamento à pesquisa, etc. Como diz Latour a propósito do avião : “um Boing não voa o que voa são companhias aéreas“. Podemos, certamente, expandir essa máxima para todo o campo social. As associações que formam o social (e não o contrário) estabelecem redes de actantes humanos e não humanos. Assim sendo, revelando as “cyborgizações” das associações, podemos descrever as conexões sociais para além de uma visão simples e dicotômica do sujeito e do objeto.

A idéia do cyborg (palavra composta pela junção de cibernética e organismo) emerge para falar dos novos híbridos da era eletrônica, mas pode ser efetivamente expandida e posta em perspectiva. O Écrans mostra em post de hoje que o termo surge há exatamente 50 anos na ficção-científica, na era da contracultura.

Le cyborg, rappelle Tim Maly, auteur de Quiet Babylon, blog consacré au cyborg et à l’architecture, est un produit de l’ère de l’acide, de l’Agent orange et des drogues, mais aussi de la guerre froide et de la course à l’espace. Comment survivre sur une autre planète ? La solution architecturale fut envisagée (avec recréation des conditions de vie sur Terre), mais les scientifiques Clynes et Kline (dans Cyborgs and Space) avaient une vision différente : plutôt que d’adapter l’espace, pourquoi ne pas nous adapter à lui, en modifiant l’organisme humain à l’aide de drogues, pour en faire un « organisme cybernétique » (cyborg) ?

Escrevia em 1999 (Bodynet e Netcyborgs., in Rubim, A., Bentz, I., Pinto, M.J., Comunicação e Sociabilidade nas Culturas Contemporâneas., RJ, Vozes/Compós, 1999), sem referências ainda à teoria Ator-Rede:

“A questão da artificialidade está presente desde a formação do homem e das primeiras sociedades. Toda formação social se estabelece numa circunscrição (que necessita o controle e a transformação) da natureza. A cultura emergente é resultado de um processo de artificialização da natureza.

Serge Moscovici tratou desse assunto no seu excelente “La société contre nature”. O que causa a irrupção do gênero humano, e sua supremacia sobre os demais animais é justamente a possibilidade, em construindo a cultura, de elevar-se acima da natureza e para além dela. O processo de “cyborgização” contemporâneo nada mais é que a continuação inelutável dessa ordem à parte formada pelo homem, de sua saída da natureza na construção dessa “segunda ordem artificial”. (…) A questão do artificial se descola assim de uma possível dicotomia com o natural pois a sociedade e o homem se formam no processo de artificialização do mundo. Assim, “l’homme sans art, sans technique gestuelle et mentale, nous est inconnu et inconnaissable” (1).

O italiano Ezio Manzine (2) mostra, com precisão, que toda ação humana se desenrola nos fatos culturais que, por sua vez, tem como característica essencial a artificialidade.(…) Dessa forma, a história do artificial e da humanidade coincidem plenamente, já que “pour l’homme, produire de l’artificiel est une activité absolument naturelle”(3). O artificial, longe do que imaginamos no senso comum, é profundamente humano. Isso posto, a dicotomia entre o artificial e o natural perde sentido e a questão do cyborg pode ser colocada como estrutural da própria humanidade.

O primeiro homem, que de uma pedra faz uma arma e um instrumento, é o mais antigo ancestral dos cyborgs. Bernard Stiegler(4), utilizando-se dos estudos de André Leroi-Gourhan(5), mostra como a formação do homem e da técnica se estabelece num processo simbiótico, onde não se sabe ao certo se o homem produz ou é produzido por ela. O fenômeno técnico é a primeira característica do fenômeno humano, já que a antropogênese coincide (de forma simbiótica) com a tecnogênese. O homem não pode ser definido, antropológica e socialmente, sem a dimensão da técnica. (…) A cultura, como tragédia entre a “subjetivação” do objeto e “objetivação” do sujeito(8), se constitui no coração do fenômeno técnico.”

Assim os termos cyborg e pós-humano são bons para ficção-científica mas não fazem muito sentido antropológica e sociologicamente falando. O que marca o humano é esse hibridismo com atores não-humanos por delegação, tradução, intermediação e mediação (não tenho tempo para desenvolver esses conceitos aqui. Vejam para isso Latour, B., Reassembling the Social, Oxford, 2005). O que caracteriza a humanidade é essa relação de mediação e intermediação com atores humanos e não humanos, constituindo objetos técnicos os mais diveros (dispositivos, leis, instituições, símbolos, artefatos). O próprio do humano é ser um híbrido onde sujeito e objeto só podem ser compreendidos enquanto redes que se formam e se deformam aqui e acolá, e não como instâncias separadas, imanentes que interferem uma na outra. Nesse sentido, o termo cyborg e, mais ainda, o conceito de pós-humano é totalmente sem sentido. Não há humano fora das associações com atores não humanos. O cyborg é o humano demasiadamente humano.

A delegação do “dirigir” ou o carro intermediário e mediador.


Ramin Rahimian for The New York Times
Dmitri Dolgov, a Google engineer, in a self-driving car parked in Silicon Valley after a road test.

O cyborg está presente na discussão sobre um novo carro automático da empresa americana Google, expandindo as suas ações para além das máquinas de busca e celulares. A Google está testando carros que dirigem sozinhos, sendo um dos objetivos vender, seja o sistema para construtoras (como faz com o Android para celulares), seja conteúdos de localização para os novos carros que venham equipados com esses novos dispositivos. Texto do NYT revela a dimensão do projeto:

The Google research program using artificial intelligence to revolutionize the automobile is proof that the company’s ambitions reach beyond the search engine business. The program is also a departure from the mainstream of innovation in Silicon Valley, which has veered toward social networks and Hollywood-style digital media.

No entanto, o projeto apresentaria, no futuro, problemas legais. É aqui que entra minha análise.

“But the advent of autonomous vehicles poses thorny legal issues, the Google researchers acknowledged. Under current law, a human must be in control of a car at all times, but what does that mean if the human is not really paying attention as the car crosses through, say, a school zone, figuring that the robot is driving more safely than he would? And in the event of an accident, who would be liable — the person behind the wheel or the maker of the software?”

Estamos acostumados à delegação no trânsito e às diversas formas de intermediação no uso dos automóveis. Sinais de trânsito, faixas na pista, regras de conduta, quebra-molas, pedágios e outras normatizações da prática da mobilidade no trânsito já são bem conhecidas e aceitas (bom, mais ou menos, visto os constantes desrespeitos) por nós. As delegações (ao sinal para dizer quando devemos parar ou andar, às faixas pintadas no chão, informando se podemos ultrapassar ou não, às placas proibindo ou permitindo estacionar aqui ou ali, etc.) são formas de mediação em que acreditamos e por isso, ritualisticamente encenadas a cada dia, funcionam. A sociabilidade no trânsito emerge dessas constantes ações entre humanos e não humanos. Com essas delegações não precisamos, por exemplo, de um ator humano dizendo se podemos passar, estacionar ou ultrapassar. O social emerge aqui das diversas associações entre humanos (motoristas, pedestres, guardas de trânsito) e os diferentes atores não-humanos, objetos e signos que agem ora como intermediários, ora como mediadores.

O mesmo acontece com o carro, mas nesse caso, mesmo delegando coisas (o funcionamento da potência motora ao motor, a confiabilidade no airbag ou no cinto de segurança, etc.), o ator humano é um mediador necessário e legalmente responsável nessa rede que se forma enquanto se dirige. Quando dirigimos, somos esse híbrido homem-carro-signos-normas-objetos. Mas com o carro autônomo da Google, uma outra, estranha e radical delegação acontece. A ação de dirigir é delegada a um computador e a um batalhão de sensores, redes, GPS, que guiam o carro pelas ruas e o fazem se relacionar com outros carros, objetos, signos, ciclistas e pedestres. Na experiência da Google, a ação humana ainda está presente para evitar que falhas no sistema possam gerar acidentes.

A questão é importante, já que afeta dimensões políticas, morais, éticas. Não é nova a delegação de ações à não-humanos fazendo com que esses funcionem como intermediários e mediadores. A novidade está na nova dimensão dessa mediação (o homem não dirige mais) e na dimensão legal dessa delegação (é o computador que dirige).

Aceitamos a delegação e a mediação da máquina quando dirigimos um carro, já que isso só acontece (a legalização do ato de dirigir automóveis) pois acreditamos e confiamos na relação do carro com o mundo externo a partir de uma miríade de agentes não humanos (a sinalização, o motor na arrancada, o freio, o sinto de segurança, o airbag vão funcionar), assim como no humano que respeitaria as regras e saberia lidar com os outros atores humanos e não humanos. O cyborg está aqui compreendido como um rede de ações entre humanos e não humanos. Não há grande divisões entre o “sujeito” que dirige e o “objeto” que reage. Eles são uma rede que se faz na ação de sujeito-objeto humano-carro. A ação se desfaz quando paramos momentaneamente de dirigir, mas não totalmente, pois viramos assim pedestres… Há portanto, no “novo carro”, uma outra forma de delegação e ação de mediadores e intermediários que exigiriam adaptações nas leis. O novo híbrido “humano-carro” deve ganhar novas responsabilidades e enquadramentos legais.

Mobilidades do Poder

Matéria de hoje do jornal Le Monde mostra que a polícia francesa possui arquivos pessoais de imigrantes nômades, utilizado sem respaldo legal, cruzando informações pessoais e étnicas. Segundo o quotidiano francês, o “fichier des Roms MENS (Minorités ethniques non sédentarisées)” estaria sendo contestado pela “Commission nationale de l’informatique et des libertés (CNIL)” e por quatro entidades de defesa de minorias e imigrantes. A questão estoura depois da expulsão dos ciganos romenos da França pelo governo Sarkozy. A polícia desmente, mas segundo as associações que protestam existe mesmo um “fichier ethnique, illégal et non déclaré“. Ele foi revelado pelo Le Monde no dia 07 de outubro.


AP/Christophe Ena. Des Roms dans un campement à Fleury-Mérogis, le 6 septembre 2010.

Estamos em meio a uma cultura da mobilidade, onde produtos, commodities, finanças e informação digital circulam livremente pelo planeta. A mobilidade é hoje um motor da economia digital e uma força estratégica da globalização. Celulares, smartphones, notebooks, netbooks, tablets, e-readers acoplados às mais diversas redes sem fio (3G, Wi-Fi) fazem das mobilidades física e informacional uma realidade planetária. Elas estão em expansão na sociedade da informação. Como mostrei em artigo recentemente publicado:

“No entanto, a mobilidade deve ser politizada. Ela não deve ser vista apenas como o percurso entre pontos, ou o acesso a determinada informação. Ela não é neutra e revela formas de poder, controle, monitoramento e vigilância, devendo ser lida como potência e performance. Bonss e Kesselring (2004, apud Kellerman, 2006) propõem o termo “motility”, emprestado da medicina e da biologia para explicar a capacidade para o movimento. Na atual cultura da mobilidade, esta potência varia de acordo com o indivíduo ou grupo social, segundo estruturas de poder. Pensemos, por exemplo, naqueles que se deslocam em transportes públicos e/ou privados, nos que têm acesso à internet por banda larga ou linhas discadas, nos que podem viajar o mundo e dos que nunca saem dos seus lugares de nascimento. Parece haver hoje uma correlação e ampliação dos poderes já que quanto maior a potência de mobilidade informacional-virtual, maior é a mobilidade física e o acesso a objetos e tecnologias. A mobilidade informacional (acesso rápido, pleno e fácil à informação) é correlata à potência (motility) da mobilidade física. Os que podem se movimentar mais facilmente pelo ciberespaço são também os que têm maior autonomia para o deslocamento físico e vice- versa. A cultura da mobilidade não é neutra, nem natural.”

O caso da expulsão dos ciganos da França remete para essa “motility” e para as atuais “mobilidades do poder”.

A idéia que está por trás da discussão sobre a mobilidade contemporânea é a do surgimento de novos nômades, os nômades high-tech. Esses são seres da mobilidade física e informacional que consomem artefatos e informação, buscando pontos de conexão no espaço urbano das grande metrópoles. Ele não erram, por assim dizer. Só “acertam”. Estão totalmente integrados às amarras bem sedentárias do trabalho, do documento, da ocupação, da família. Longe de serem nômades vagabundos, eles são “trabalhadores móveis ancorados no conforto dos bens e serviços sociais”. Eles não são os nômades do “intermezzo” (Deleuze e Guattari, Mille Plateaux, 1980) e nem os nômades imigrantes “sans papier” (veja a esse propósito o interessante livro de Derrida sobre a hospitalidade). Ter papel é estar inscrito, é ter um nome, é ter um corpo, é ter um lugar. Os novos nômades high-tech têm papel, trabalho, domicílio. Eles são tratados pela sociedade da informação com elogio e benesses, bem diferente do tratamento dado pela “modernidade” aos outros nômades da história, onde aí incluimos os ciganos romenos, estigmatizados desde os tempos mais remotos. Jacques Attali, em seu livro “L’Homme Nomade” (Fayard, 2003), mostra que a história humana pode ser lida como uma história do nomadismo. É graças a essa troca incessante dos que não têm moradia fixa (os “sans papier”) que a cultura se espalha e se enriquece globalmente. É a era moderna, com a disciplina sobre o corpo individual e o biopoder sobre o corpo social (Foucault), a grande inimiga do nomadismo. Todo o processo civilizacional tem sido uma luta contra o nomadismo, afirma Attali. Daí o estigma ao flâneur, ao vagabundo, ao viajante, ao estrangeiro, ao cigano…


Proibido flânar em shopping em Montréal, Canadá

Na era da mobilidade, nômades high-tech, bem enraizados, bem equipados e bem vestidos são aceitos e mesmo estimulados pela sociedade global. Parecem nômades, mas não são na realidade. São simulacros de nômades, saindo com suas mochilas cheia de artefatos, cabos e baterias, rodando por redes wi-fi ou 3G, mas voltando sempre curvados e cansados para a segurança de suas casas bem equipadas depois de um dia móvel, alegre e interativo de trabalho. A sociedade contemporânea, em meio a um fluxo desterritorializante de dispositivos, informação, empresas e produtos, persiste em não aceitar e não querer os velhos nômades, sem lenço, sem domicilio ou trabalho fixos e sem documento, a zanzar pelas ruas, mostrando um “diferente, sujo e escorregadio” estilo de vida que em nada se assemelha e que não quer se integrar ao padrão ocidental. Por isso informação, empressa, produtos, marcas, finanças, podem circular livremente. Mas não as pessoas.


Nômade high-tech. Projeto Wi-Fi Bedouin de Julian Bleecker

O suposto arquivo ilegal da polícia francesa mostra formas de estigma e de viligância bastante conhecidos, unindo vigilância disciplinar e panóptica às mais modernas, interativas, locativas e móveis formas de controle dos movimentos. Assim termina a matéria do Le Monde:

“Donner aux services de sécurité les moyens, notamment informatiques, d’une action efficace est nécessaire et légitime. Mais, dès lors que cela risque de porter atteinte aux libertés, ces moyens d’action doivent être très sérieusement contrôlés. Y renoncer revient inévitablement à fermer les yeux sur des dérives d’autant plus inacceptables qu’elles conduiraient à un fichage – pour ne pas dire un flicage – ethniques ou racial. En dépit de toutes les mises en garde, ce n’est, hélas !, pas le cas.”

Lugares da Sociabilidade

Lugares da Sociabilidade. I Seminário dos Grupos de Pesquisa em Cibercidades (GPC) e
em Interações, Tecnologias Digitais e Sociedade (GITS)
Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura Contemporâneas – UFBA

Palestra de abertura (Keynote Speaker). Prof. Dr. Vinicius Neto (UFF) – “Prática, Comunicação e Espaço. Uma reflexão sobre a materialidade das estruturas sociais”.

Coordenação – André Lemos (GPC) e José Carlos Ribeiro (GITS).

Objetivo: promover um espaço de discussão sobre os diversos temas relacionados às pesquisas efetuadas pelos discentes da linha cibercultura do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Culturas Contemporâneas da UFBA, vinculados ao Grupo de Pesquisa em Cibercidades – GPC e ao Grupo de Pesquisa em Interações, Tecnologias Digitais e Sociedade – GITS. Os temas a serem abordados agrupam-se em mesas temáticas sobre: Cartografia colaborativa; Game Studies; Dispositivos Móveis e Redes Sociais; Jornalismo Móvel e Mídia Locativa; Interação e Redes Sociais; e Dispositivos Móveis e Jornalismo Digital.

Vejam programa e detalhes no blog do GPC

Arte.Mov, Salvador

Participo do Arte.Mov Salvador que começa no dia 29 de setembro e vai até 02 de outubro no Museu de Arte Moderna, MAM/BA, com o tema “Novas cartogafias urbanas: reconfigurações do espaço público”. Vou falar sobre cartografias, panoramas, arte e espaço urbano em mesa cujo tema é a “Mobilidade na Grande Cidade”, com Raquel Rennó (BR) e Sarah Shamash (CAN), tendo como mediador Lucas Bambozzi. Uma honra e um grande prazer participar dessa edição do Arte.Mov. Fui convidado também para expor o projeto Survivall, escrita em GPS feita em Edmonton, Canadá em 2008.

Participei, como conferencista, em 2009 em BH e posso afirmar que o festival é de suma importância para a discussão sobre os papéis artísticos, culturais, sociais e políticos das novas tecnologias móveis de comunicação digital. Evento imperdível e uma oportunidade única para o público baiano. Para uma real dimensão do evento vejam a programação aqui.

Cidades Invisíveis no Ciência Hoje

Muito boa a matéria sobre a minha fala no evento Cidades. Futuros Possíveis, no Rio. Reproduzo abaixo parte da matéria de Isabela Fraga. Vejam na íntegra aqui.


(foto: José Eduardo Pachá – CC BY-NC-ND 2.0)

Esse conceito de cidade oculta é defendido pelo sociólogo André Lemos, coordenador do grupo de pesquisa Cibercidades, na Universidade Federal da Bahia (UFBa). Na semana passada, Lemos apresentou o Invisible Cities e outros projetos similares em seminário realizado na Casa da Ciência, no Rio de Janeiro.

Para André Lemos, são nossas ‘pequenas assinaturas’ – como as que deixamos num parquinho onde brincamos durante a infância – que dão sentido a certas partes da cidade (foto: Kênia Castro – CC BY-NC-ND 2.0)

Sua tese: perspectivas generalizantes ou muito abrangentes a respeito das cidades tornam-nas invisíveis.

Dizer, por exemplo, que o Rio de Janeiro é a cidade ‘maravilhosa’ insere confortavelmente seu habitante num imaginário partilhado, ao mesmo tempo em que oculta suas articulações numa ‘visibilidade genérica’.

“As cidades só fazem sentido a partir de pequenas assinaturas que imprimimos em suas ruas”, explica Lemos. “Não há cidades, há lugares”. Em outras palavras: é na rua em que moramos, no prédio onde estudamos ou no parquinho no qual brincamos durante a infância que o espaço urbano ganha sentido para nós, seus habitantes.

Assim, os clichês – como dizer que Salvador é uma cidade ‘alegre’ – são vazios de significado e escondem essas camadas mais simbólicas. Para Lemos, essas camadas são também responsáveis pelos futuros potenciais dessas cidades.

Slide – Cidade. Futuros Possíveis

O slide da apresentação de ontem. Claro que as imagens, sem a minha fala, não se auto-explicam…Mas vai para o regsitro ou para os que estavam ontem na conferência.

Meu argumento principal é devemos evitar falar de futuro e de cidade a partir de perspectivas genéricas, panorâmicas, que não dão conta das diversas associações sociais que se concretizam nos lugares. Toda cidade é, por assim dizer, invisível, uma abstração (vejam meu post sobre cidades invisíveis, que inclusive citei ontem). Assim sendo, devemos pensar o futuro como resultado das relações que construímos para habitar lugares instáveis e não como um cenário para a cidade como um espaço abstrato.

Dei vários exemplos a partir de fatos atuais como o fim da versão impressa do JB e a demolição da Fonte Nova, o mapeamento e topografias das relações via Twitter em NY, o uso de mapas do passado em celulares em Edinburg e o projeto de escrita com GPS em Edmonton, Canadá, Survivall.

Contra o PL84/99

Blogagem Coletiva de repudio ao AI5 Digital – 31/08

Hoje é dia de dizer um grande NÃO ao PL84/99, que quer censurar e destruir a liberdade na Internet. no Brasil.

Vejam algumas informações no blog do MEGA NÃO:

1. A mídia continua repetindo o Mantra da Irracionalidade contra a Internet
2. No dia 05/08/10 O Deputado Pinto Itamaraty do PSDB apresentou parecer favorável ao AI5Digital, ignorando todos os argumentos e movimentos sociais dos últimos três anos.
3. Seis dias depois aparece uma matéria dizendo que os Deputados buscarão acordo para votar a lei de crimes na Internet.
4. E agora um evento para lá de esquisito organizado pela revista Decision Report, uma publicação que parece estar à serviço do Azeredo e do vigilantismo, se anuncia para o dia 31/08 com o título oportuno (para o tripé do atraso) de: Crimes Eletrônicos – A urgência da lei. O curioso e que este evento conta com 19 palestrantes para falarem em 2:30h, o que dá um pouco mais de 7 minutos para cada um.

Lembro que há uma petição com mais de 150 mil assinaturas.

Participe e diga o seu MEGA NÃO ao projeto do Senador Azeredo.

Programa do GPC

Programa do Grupo de Pesquisa em Cibercidade, GPC:

UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA
FACULDADE DE COMUNICAÇÃO
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM COMUNICÇÃO E CULTURA CONTEMPORÂNEAS

GPC – GRUPO DE PESQUISA EM CIBERCIDADE
2010.2

Coordenador – Prof. Dr. André Lemos
Reuniões – Quinta, das 14 as 18h
Local – Sala 2 do PPGCOM/Facom/UFBa

Informações:
http://gpc.andrelemos.info/blog
http://twitter.com/cibercidade

O Grupo de Pesquisa em Cibercidade (credenciado no diretório de pesquisa do CNPq) faz parte do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura Contemporâneas da FACOM-UFBa. O grupo é coordenado pelo professor André Lemos e existe desde 2000. O tema de discussão tem sido Comunicação, Mídia, Tecnologia, Espaço Urbano e Mobilidade. O grupo agrega professores, estudantes de graduação e pesquisadores em mestrado e doutorado no PPGCCC/Facom-UFBa. O GPC possui, desde 2009.2, um Laboratório de Mídias Móveis composto de equipamentos disponíveis aos pesquisadores (um celular Android, um data show, um GPS Garmin, uma câmera Mini-DV Sony, dois netbooks, um notebook Dell, uma impressora e um scanner de mesa, 3 roteadores Wi-Fi, livros sobre a temática do grupo). O GPS realizou também as pesquisas: Wi-Fi Salvador e Vigilância na UFBa (informações no site)

Pesquisadores Participantes

Professores
Prof. Dr. André Lemos, coordenador
Prof. Dr. José Carlos Ribeiro

Doutorandos
André Holanda
Fernando Firmino
Luis Adolfo
Macello Medeiros
Renata Baldanza
Thiago Falcão

Mestrandos
Diego Brotas
Leonardo Branco
Paulo Victor

Graduandos
Danilo Pestana
Grabiela Baleeiro
Leonardo Pastor
Nelson Oliveira

Atividades para 2010.2

Reuniões Semanais. Atividade regular do GPC com todos os pesquisadores. Cada pesquisador fica responsável por uma sessão. Nesse semestre discutiremos três livros, a saber (ver calendário mais abaixo):

1. Reassembling the Social – Bruno Latour
2. Geographies of Media and Communication – Paul C. Adams
3. Augmented Urban Spaces – Alessandro Aurigi e Fiorella De Cindio

Interseções. Seminários mensais com convidados externos. O GPC realizará encontros mensais abertos a toda a comunidade da UFBa e ao público em geral.

Seminário Internacional. Preparação do Seminário internacional – “Mídia, Espaço e Tecnologia”, em agosto de 2011 (data a ser confirmada). Keynote Speakers e Call for Papers.

Seminário de Pesquisa GPC/GITS – 13, 14 e 15 de outubro, mestrandos e doutorandos. (4p/dia). Apresentação pública dos projetos em desenvolvimento pelos membros do GPC e do GITS. Atividade de extensão gratuita e aberta à comunidade. Um palestrante nacional.

Atualização do Site e do Twitter. Atividade semanal.

Wi-Fi Salvador – Continuidade e desdobramentos. Wi-Fi Salvador no Android – Inventor!

Programa de Reuniões

12/08 – Apresentação dos textos dos bolsistas PIBIC/pesquisas Vigilância e Wi-Fi Salvador
19/08 – Latour – até p. 62- Andre Holanda
26/08 – Thiago (Latour, p. 63-120)
09/09 – Zé Carlos (Latour, p. 121-172)
23/09 – Fernando (Latour, p. 173-262)
30/09 – Leonardo (Adams, 1-42)
07/10 – André (Adams, 43-107)

13, 14 e 15/10 – Seminário dos Projetos de Pesquisa de 18 às 22hs

21/10 – Luiz Adolfo (Adams, 108-166)
28/10 – Renata (Adams, 167-221)
11/11 – (Aurigi e Cindio, 1-59)
18/11 – (Aurigi e Cindio, 60-137)
02/12 – (Aurigi e Cindio, 138-234)
09/12 – (Aurigi e Cindio, 235-349)