Category: Campus Party

Blog e Cibercultura

By André, 28/01/2010 1:30 pm

Blogs são hoje uma das mais expressivas formas de comunicação da cibercultura. Eles têm inúmeras finalidades: página de atualização pessoal, ferramenta corporativa, instrumento de difusão de informação jornalística, suporte pedagógico, ambiente colaborativo e coletivo, os exemplos são inúmeros e não há limites para a utilização dos blogs.

Agora mesmo, nesse momento, utilizo a ferramenta como suporte e complemento da minha intervenção no Painel “Cibercultura e pesquisa sobre blogs” aqui na Campus Party 2010. Acabo de postar no momento mesmo em que falo já que terei pouquíssimo tempo aqui. É um complemento e não substitui o embate que se dá agora presencial.

Como tenho afirmado, os blogs são exemplos, assim como o software livre, os podcasts, a arte eletrônica, dos três princípios que balizam as práticas sócio-comunicacionais contemporâneas a partir das novas tecnologias e redes digitais:

1. liberação do pólo da emissão,
2. conexão aberta e planetária;
3. reconfiguração social, cultural, política.

Os blogs estão mais próximos da esfera conversacional (link) do que ao fluxo um-todos característico das mídias de massa. Considero que os blogs, em sua maioria, desempenham funções que não se enquadram mais nas mídias de massa. Tenho chamado essas fun?ões de “pós-massivas”. Eles existem e estão em expansão por serem um meio de comunicação em que não há controle da emissão, permitindo que qualquer um, com poucos recursos, possa livremente publicar informação diversas sob variados formatos (texto, fotos, vídeo, áudio…). Os blogs se aproximam aqui do “mundo da vida” das formas mais espontâneas de conversação pública.

A liberação do pólo da emissão encontra a conexão: blogueiros oferecem blogrolls, remetendo a outros blogs, além de áreas de comentários, instituindo respostas abertas (ou moderadas) às informações vinculadas. Emerge assim uma “blogsfera” sob os princípios da livre emissão e da conexão a outros, por afinidade ou interesse. Mais do que as mídias de massa, que são informativas oferecendo informação filtrada em um fluxo um para todos, os blogs são comunicativos (troca livre entre consciências), instituindo “comunicação” – embate com o outro, ação de “entrar na orquestra”.

Quando se pode emitir livremente e se conectar a outros, emerge a potência da reconfiguração social, cultural, política, o terceiro princípio. Não se trata de aniquilar formas massivas, informativas, unidirecionais de comunicação, mas da inserção de um novo elemento (por vezes e a depender da área, bastante perturbador), que altera práticas e cria outras. A lógica da história das mídias não é o “isso ou aquilo”, mas o “e, e, e… Por exemplo, podemos pensar no uso dos blogs como ferramentas pedagógicas, que não substituem as salas de aula, como ferramentas jornalística, que não institui o fim do jornalismo profissional, como complemento a informação televisivas, como espaço comunitário que não inibe o encontro face a face, ou como complemento de uma palestra, como estamos fazendo aqui.

Se até o papa esta clamando aos seus fiéis que “por Deus, tenham um blog“, é porque há aqui o reconhecimento de sua essência conversacional, comunitária, participativa e livre. O blog, como diversas práticas da cibercultura, está no bojo do que se pode chamar de uma nova esfera participativa e conversacional a partir dos três princípios da cibercultura.

Campus Party

By André, 27/01/2010 7:02 pm

Estou na Campus Party desde ontem. É a primeira vez que participo. O ambiente é excessivo em todos os níveis: banda larga de 10gbs, 6000 participantes, conferências, paineis e reuniões espontâneas, muito barulho. O evento é uma grande festa que reforca o carater efervescente e orgiástico da cibercultura: orgia de signos, de máquinas, de códigos, de falas…uma despesa que não chega a ser improdutiva (todos estão fazendo algo interessante em diversas área – games, vídeo, música, blogs, etc) mas que remete muito mais a um momento de união e troca do que a formas solenes de discussão sobre as tecnologias de informacão.

O evento me lembrou um bem menor, mas com o mesmo espírito, que participei na Holanda, em Lelystad, em 1993, se não me engano (e relato no meu livro Cibercultura), sobre hacking: o “Hacking at the End of the Universe“, organizado pelo Hacktic. Era em um camping onde pessoas ficavam em barracas e as discussões, palestras e workshops eram realizados ao ar livre, na tenda principal (como um circo) e na área de conexão, com computadores espalhados em mesas. O ambiente era cooperativo e, por ser menor, mais íntimo. Pessoas lavavam os banheiros, os pratos, compartilhavam comida, etc. O espírito da cooperacão, da colaboracão e da discussão já se dava desde a década de 1990. Hoje a Campus Party, mesmo recheada de empresas, promocões e publicidade, ainda conserva essa vibe.

Tenho visto ouvido alguns painés. Participo hoje de um debate sobre o Trezentos e amanhã de dois, um sobre blogs e outro sobre Gambiologia. (ver post anterior).

Uma farra de dados e de encontros, de improviso e de conexões. O código está circulando por todos os lados. Hoje assisti um painel sobre arte e código aberto e fiquei pensando sobre eles (em breve um post específico, com muitas dúvidas, críticas sobre esse tema).

Vou agora para o evento do Trezentos, no Bar Camp.

Campus Party

By André, 25/01/2010 6:42 pm

Aprontando a mochila para a Campus Party 2010. Ansioso para mergulhar na ambiência do acampamento. Participo de 3 debates: um sobre cibercultura e blogs, outro sobre Gambiologia e outro sobre internet e moradores de rua (nao sei ainda quando e onde será). Devo assisitir também a conferências (principalemente a do Lessig). Mas o bom mesmo será flanar pelo Campus e ver o que a cibercultura brasileira está aprontando. Abaixo minha agenda, até agora…

Dia 26, se chegar a tempo, corro para ver a palestra do Kevin Mitnick, um dos mais famosos hackers, ou melhor, ex-hackers, do mundo. Ele vai falar de social engineering e lock-picking, táticas hackers para conseguir informacão e abrir coisas. Abaixo vídeo do Mitnick convidando para o evento.

Dia 27 fico livre para ver coisas pelo acampamento.

Dia 28 participo de dois debates: blogs e gambiologia!

BLOG Debate: Cibercultura e pesquisas sobre blogs e conversações online
Quando – qui 28 de jan 2 pm – 3:30 pm
CampusBlog – Zona de Criatividade
Descrição – Os novos cenários na comunicação sob o olhar de pesquisadores e acadêmicos.
Moderador: Sérgio Amadeu
Painelistas: Rogério Christofoletti, Henrique Antoun, Sandra Montardo, André Lemos

DSIGN Gambiologia – debate e lançamento
Quando – qui 28 de jan 10 pm – 11:30 pm
Foto-Video-Design – Zona de Criatividade
Descrição – A rede MetaReciclagem lancará na CParty uma publicação colaborativa chamada “Gambiologia”. Nela, e no debate, pretende-se entender, referenciar e de certa forma naturalizar o improviso e a impermanência – a cultura da gambiarra – não como atraso, mas pelo contrário como habilidade essencial pro mundo contemporâneo.
Painelistas – Rodrigo Boufleur, Czarnobai, Lucas Bambozzi, Sergio Amadeu, André Lemos, Marcus Bastos, Fred.

Dia 29, assisto a palestra do Lessig: O futuro dos Commons: cultura livre e compartilhamento. 19:00h.
Lawrence Lessig, um dos fundadores do Creative Commons, professor na faculdade de direito de Stanford e um dos maiores defensores dos licenciamentos livres para a distribuição de bens culturais, à produção de trabalhos derivados (criminalizadas pelas leis atuais), e do fair use. Na sua palestra falará sobre o futuro do compartilhamento nas redes digitais.

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