
Apresentei ontem “Sensibilidade Artificial. O blasé, o flâneur e a IA” no evento Metrópole Sensível”
Resumo
O texto parte da ideia de que a condição urbana contemporânea decorre da plataformização, da dataficação e da crescente incorporação da IA à gestão das cidades. A cidade inteligente (smart) é entendida como uma metrópole artificialmente sensível ao contexto, que o transforma em dados, criando um “urbanismo de IA”. Para ler esse cenário, propõe-se o par blasé/flâneur como grade de leitura. Em Simmel, a atitude blasé é uma economia defensiva da percepção, que nivela os estímulos e funciona como protoforma da otimização algorítmica do sensível. Em Benjamin, o flâneur representa a sensibilidade não otimizada, errática e improdutiva, que se expõe ao acaso, não converte a percepção em dado e se opõe à lógica da eficiência algorítmica. Conclui-se que as duas hipóteses ajudam a compreender as ações e as sensibilidades intensificadas pela IA urbana.
